Carreira – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br Mon, 18 Sep 2017 17:06:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/wp-content/uploads/2021/01/cropped-head_512x512-32x32.png Carreira – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br 32 32 ferramentas, FERRAMENTAS https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/09/18/ferramentas-ferramentas/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/09/18/ferramentas-ferramentas/#comments Mon, 18 Sep 2017 16:54:54 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6498 Nossa era da ansiedade é, em grande parte, o resultado de tentarmos fazer o trabalho de hoje com as ferramentas de ontem – com os conceitos de ontem.
Marshall McLuhan

Que tal começar com uma autoanálise? Pense em quantas ferramentas você conheceu nos últimos tempos. Quantas você experimentou? Quais foram incorporadas ao seu dia a dia? Considere tanto aquelas que só demandam papel e caneta quanto os brilhantes apps que inundam seu smartphone. Quais o tornaram um profissional melhor, mais produtivo e eficaz?

Há muita conversa sobre ferramentas e respectivos guias de seleção e uso, os métodos. Que parte desse papo se concretiza? Quantos trabalhos se tornaram mais eficazes, rápidos e até prazerosos por causa de novas ferramentas? Temo que poucos, muito poucos.

Participando de reuniões variadas em empresas idem, o que mais vejo é o puro improviso. Não há ordem nem um mínimo sistema dando sentido aos debates. De vez em quando alguém rabisca algumas ideias. Mas a solução do problema em questão, se acontece, é fruto de muito trabalho (e retrabalho) ou do acaso. Quem está ali conhece uma série de ferramentas. Talvez até desconfie que algumas seriam úteis naquele momento. Mas, por algum motivo, abre mão de aplicá-las. Qual motivo? Ou melhor, quais motivos?

Hábitos, Vícios e Preconceitos

Velhos hábitos e vícios são duros de matar. Desaprender é mais difícil do que aprender. Se pretendemos aplicar novos conceitos e ferramentas, antes de mais nada, precisamos abrir espaço para eles. Não é algo que ocorre do dia para a noite. Por nítidas que sejam as vantagens de uma nova técnica, o conforto do que é conhecido parece maior. E exerce uma atração irresistível. Na pressa, também comum, optamos pelo caminho que dominamos. Fazendo vista grossa para o fato dele ser o caminho mais longo e, não raro, mais acidentado.

Outro motivo é confessado em algumas fichas de avaliação de meus treinamentos: “isso não vai funcionar na minha empresa”; “isso não é compatível com a cultura de minha empresa”; “minha empresa não está pronta para isso”; e por aí vai. Não há nem a chance ou curiosidade de experimentar um novo jeito de pensar e trabalhar. Porque regras nunca escritas seriam intransponíveis. Quem, em sã consciência, impediria ganhos de produtividade? Como pode uma ferramenta não testada ser incompatível por natureza? Tente imaginar uma carpintaria incompatível com um martelo, por exemplo. Coisa estranha.

Assim como são estranhos alguns preconceitos. Adjetivos como “metódico” e “sistemático” são mais frequentes em tom pejorativo. Raramente aparecem como um elogio. O que é metódico e sistemático é invariavelmente chato e indesejado? De onde vem isso? Não é dos dicionários, que relacionam os termos com o perfil de alguém “que procede com método” ou “que segue ou observa um sistema”. Ou seja, são predicados de quem pensa o próprio trabalho. São características necessárias se pretendemos vencer as barreiras colocadas nos dois parágrafos anteriores.

Voltemos ao McLuhan, citado lá em cima. Até quando insistiremos em ferramentas e conceitos de ontem? O que falta para que você faça um upgrade em seus ativos – no seu cinto de utilidades?

Transição

A entrevista de Jeffrey Immelt, presidente do conselho de administração da GE, para a EXAME (edição 1145 de 13/09/17) pode surpreender. A GE de Jack Welch serviu como modelo para muita gente. A cultura de controle e ferramentas como o Seis Sigma já foram coisas invejadas. Aquela GE não existe mais. Nas palavras de Immelt:

“O Seis Sigma elimina a experimentação. O FastWorks (método ágil e enxuto desenvolvido pela GE) gira em torno da experimentação. O Seis Sigma visa eliminar falhas. No FastWorks, as falhas são endêmicas. Empresas burocráticas perdem rapidez.”

Immelt não está fazendo nada mais do que seguir um conselho do próprio Jack Welch: “Mude antes de ser obrigado a fazê-lo”. A transição não é pequena. Uma nova cultura está nascendo. E, com ela, novos conjuntos de ferramentas.

Para Pensar e Agir

Donald Reinertsen, em Managing the Design Factory (Free Press, 1997), classifica as ferramentas em dois grupos¹:

  • Ferramentas para Pensar: nos ajudam a delimitar, relacionar, estruturar e avaliar determinado problema ou situação. Pensamento Sistêmico, Teoria da Informação, Teoria das Filas, Pensamento Lean e Pensamento Visual são alguns exemplos
  • Ferramentas para Agir: apoiam a execução de determinado trabalho. Diagramas de Efeitos e de Processos, cerimônias, canvases e quadros mil entram nessa categoria. 

Trabalhos recentes – alguns livros de Design Thinking e o famoso Gamestorming (Alta Books, 2014), por exemplo – desfilam dezenas de ferramentas para agir sem o alicerce de uma teoria unificadora. Isso, por si só, não é um problema. Boas ferramentas provam o seu valor de forma pontual, sem dependências ou requisitos. No entanto, um bom profissional não vive desprovido de métodos e conceitos – sem Ferramentas para Pensar.

Temos aqui outra tendência difícil de explicar e justificar: o desprezo pelas teorias. Entender o contexto que levou à criação de uma ferramenta – conhecer o seu porquê – é condição para sua aplicação eficaz. Não é por acaso que vemos tantos debates estéreis sobre métodos e ferramentas por aí: falta educação. Para detonar o preconceito (contra teorias e teóricos), Kurt Lewin tem uma boa provocação: “Não há nada mais prático do que uma boa teoria”.

Assim como não há nada mais eficaz do que boas ferramentas se a nossa intenção é ganhar produtividade. Jurgen Appelo, autor de Management 3.0 (Addison-Wesley, 2011), faz uma aposta ainda maior: boas ferramentas podem nos ajudar a mudar ou implantar culturas. Essa é a proposta de seu novo projeto, Agility Scales².

Plano de Ação

Um plano para a reciclagem contínua de seu cinto de utilidades:

  1. Seja teimoso: experimente a ferramenta em três ou mais situações diferentes. Não desanime nem fale mal de uma coisa que você mal conhece. É possível e esperado que sua produtividade caia nas primeiras tentativas. Afinal, você está aprendendo. Lembre-se de como aprendeu a nadar ou andar de bicicleta. Tombos, água e sapos engolidos fazem parte do processo.
  2. Seja desobediente: afinal, a cultura de sua empresa não está escrita em pedra. Teste a ferramenta. Se você for bem sucedido, a empresa ganhou. Mostre os dados, fatos e ganhos. Se ainda assim você for proibido de usar a ferramenta, talvez seja hora de amarrar seu burrinho em outro lugar. Se você for mal sucedido, não desconsidere o que acabou de aprender. Pelo contrário, compartilhe!
  3. Seja aberto: e não perca tempo em debates bobinhos sobre ferramentas e métodos. Lembre-se sempre de que a quantidade de ferramentas dominadas é tão importante quanto a qualidade delas. É lógico que você terá as suas preferências. Por isso mesmo saberá quando um contexto não for favorável a elas. Você não quer queimar o filme de seus xodós, quer?
  4. Seja humilde: e não perca nunca a mentalidade de iniciante e a disposição para aprender. Immelt, na entrevista citada, diz que a resiliência (seu principal aprendizado) só se tornou possível quando ficou mais humilde. 
  5. Invista: As ferramentas formam parte considerável de seus ativos (tema do artigo anterior). Ativo largado é ativo depreciado. Faz quanto tempo que você não aprende e de fato aplica uma ferramenta nova? Se quiser alguma ajuda, consulte minha agenda acima, considere o investimento e volte ao passo #1.

Notas

  1. Craig Larman e Bas Vodde pegaram carona nessa categorização. E chegaram a estruturar livros assim: Scaling Lean & Agile Development – Thinking and Organizational Tools for Large-Scale Scrum e Practices for Scaling Lean & Agile Development (Addison-Wesley, 2009 e 2010, respectivamente).
  2. Cito este projeto com uma ponta de orgulho e outra de inveja. Há semelhanças com o flit, ideia que apresentei há pouco mais de um ano. A grande diferença talvez esteja na minha ênfase nos Trabalhos a Executar (JTBD – Jobs to be Done) e em Ferramentas para Pensar, particularmente no Pensamento Sistêmico. Não tenho dúvidas de que o Agility Scales vingará. Daí a inveja. E gás novo para insistir nesse papo.
  3. Tool board, de Dean Wiles, ilusta este artigo.
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O Plano da Carreira Viável https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/30/o-plano-da-carreira-viavel/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/30/o-plano-da-carreira-viavel/#respond Wed, 30 Aug 2017 20:59:33 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6486 Toda carreira viável tem um plano. Ele é coeso, coerente e aberto para surpresas. Porque nenhuma carreira é imune ao acaso. É sempre bom lembrar Pasteur: “a sorte favorece a mente bem preparada”. Um plano é parte de uma mente bem preparada. Ele nos ajuda a “sermos bons em ser sortudos¹”. O que compõe esse plano? Como e quando elaborá-lo? O primeiro componente do plano é o mais complicado de todos: suas aspirações. Tipo, “qual é a sua paixão?” Um clichê adocicado insiste que devemos seguir nossos sonhos e paixões. O problema é que 80% das pessoas não sabem qual é a sua paixão¹. Podem ter aspirações mil – geralmente relacionadas com sonhos de consumo, verbo ter. Mas a inspiração é zero quando o verbo é ser. Quem pensa que isso é coisa de adolescente não está prestando atenção ou vive em um círculo social privilegiado e estranho. Dado o horizonte nebuloso, é natural que estejamos cheios de dúvidas e alternativas. Qual é a solução?

Experimentar. Entender que a paixão pode ser descoberta. Ela será o resultado – o efeito e não a causa. Paixão é uma propriedade emergente do sistema você.

As escolas podem ser um empecilho. Porque elas pedem que uma quase criança decida o que ela quer fazer pelo resto da vida. As escolas deveriam, ao lado dos pais, mostrar todos os horizontes possíveis. E apresentar, sem censura, o futuro das profissões. Interações com empresas e profissionais podem ajudar. Desde que honestas e sem segundas intenções.

Quem já passou da fase escola tem uma amarra a menos. E mais liberdade para experimentar. A trilha é simples: experimente ? gostou? ? domine!

Uma tese sugere que o real domínio de uma área nos custa dez mil horas². É caro! Portanto, se você não tem 100% de certeza de que gostou, experimente outra coisa. E siga experimentando. Há o risco de um loop infinito. Conheço gente que foi da informática para a medicina e dali para a cura de almas e além. Pode ser divertido. A sua carreira não precisa ser assim, tão eclética. Independente disso, a cada experiência você coleciona itens para o segundo componente do plano.

Ativos

Uma carreira viável exibe uma rica carteira de ativos. O primeiro conjunto é formado por conhecimentos e habilidades. O profissional sabe o que sabe e tem boa noção do que precisa aprender e desaprender. Um antigo ditado diz que “o bom profissional é conhecido por suas ferramentas”. A quantidade de ferramentas dominadas é hoje tão importante quanto a qualidade delas. Se não por outro motivo, porque “só a variedade absorve variedade”. Não dá para pensar em uma carreira viável sem esse ciclo de reciclagem, de melhoria contínua. E isso não ocorre por acaso. Precisa ser parte do plano.

O capital social é o segundo conjunto de ativos. Ele pode não ajudá-lo a realizar um trabalho. Mas vai abrir ou fechar portas. Tratamos aqui da rede de contatos e reputação. O tamanho e a diversidade da rede contam. A opinião da rede sobre o profissional conta ainda mais.

Este é o ponto em que lembramos o artigo anterior e a conversa sobre uma carreira em T. A construção da linha vertical (domínio/especialização) pode requerer dez mil horas². Um bom plano, que almeje o T, também vai buscar a construção de ativos (conhecimentos, habilidades e contatos) fora da área de especialização. Existem dois bons pontos de partida: áreas correlatas ou disciplinas transversais (indisciplinas). Uma área vizinha permite experiências sem compromisso. Você avança um pouco além de sua especialização, aprendendo similaridades e diferenças. Há apenas um requisito fundamental: curiosidade. Vantagem: ao traçar a linha horizontal do T, deixa a vertical mais bold.

As indisciplinas representam uma estratégia diferente. São ativos de uso geral, aplicáveis na (dis)solução de problemas dos mais diversos tipos. Infelizmente, elas são sumariamente ignoradas em nossas escolas. Porque não cabem nas caixinhas pré-fixadas. Daí o termo indisciplina. Pensamento Sistêmico, Pensamento Complexo, Pensamento Crítico e Criatividade são bons exemplos. Vantagem: representam ativos mais duradouros e de amplo espectro (grande escopo de aplicação). Ou seja, o bold agora fica na linha horizontal.

As duas estratégias não são mutuamente exclusivas. No entanto, sua execução em paralelo exige bastante investimento. Como colocado anteriormente, a definição das aspirações pode ser complicada. Por outro lado, a construção da carteira de ativos é trabalhosa. Requer tempo, disciplina e dedicação. Carreiras não caem do céu. O desenvolvimento de uma carreira não é nem pode ser uma questão de sorte – de estar no lugar certo na hora exata. Isso não vai adiantar nada se você não for a pessoa certa, com aspirações e ativos que casam com aquela procura.

A Procura

Como colocou Reid Hoffman³, cofundador do LinkedIn, “o fato de você ser bom em algo (ativos) e realmente apaixonado por aquilo (aspirações) não significa necessariamente que alguém vai lhe pagar por isso”. Talvez você queira ser um empreendedor e inventar uma necessidade. Tudo bem. Mas o papo aqui é carreira. E o plano para uma carreira viável precisa considerar o que o mercado compra hoje e comprará amanhã.

Quanto maior a sobreposição desses três círculos, maior a viabilidade de uma carreira. Não se iluda: não é possível e nem desejável 100% de cobertura. Uma carreira, quando muito, ocupa ? de sua vida. O que você fará com o restante?

Relativamente comuns e tremendamente tristes são aqueles desenhos onde Aspirações e Ativos não se tocam. A pessoa queria uma coisa e estudou outra. Quase sempre há tempo para correções de rota. Bastam a ficha caída e um pouco de coragem.

Aspirações distintas e um conjunto de ativos bem variado (culinários, artísticos, esportivos etc) são sinais de uma vida bem vivida. Uma carreira verdadeiramente viável pode depender disso.

Epílogo

Não custa lembrar: profissões são monopólios autorizados pela sociedade. Um meio que inventamos para disseminar conhecimentos especializados e resolver problemas. Quando a sociedade encontra uma forma mais acessível e econômica de resolver aquele problema, bye bye profissa.

Uma carreira viável não se atrela de forma definitiva à uma profissão. Em tempos de tanta incerteza, seria um abraço de afogados. Sua carreira deve ser sempre maior que uma profissão. Porque suas aspirações não caberão naquela caixinha. Tampouco os seus ativos. Pensando assim, qual o tamanho do seu mercado?

Notas

  1. O design da sua vida: Como criar uma vida boa e feliz
    Bill Burnett e Dave Evans (Rocco, 2017).
    Citações (positivas) de livros da prateleira de auto-ajuda são raríssimas aqui no finito. Este aqui é diferente. Usa conceitos do Design Thinking e não recorre a clichês adocicados. Vale a pena.
  2. Fora de Série (Outliers)
    Malcolm Gladwell (Sextante, 2008).
    Toda generalização é perigosa. Essa regra das 10 mil horas é perigosíssima. Mas pegou, fazer o quê?
  3. Citado em The Mosaic Principle: The Six Dimensions of a Remarkable Life and Career, de Nick Lovegrove (PublicAffairs, 2016).
    Hoffman chama esse modelo de Mentalidade de Empreendedor ou Modelo do Vale do Silício. Vale para empresas tanto quanto vale para carreiras.
  4. venn, de temptationize, é o título da imagem no topo.
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Uma Carreira Viável https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/#comments Fri, 11 Aug 2017 12:36:41 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6463 Dentre as várias coisas tristes que nos rodeiam, uma é frequente e bastante incômoda. São aqueles pedidos de socorro que surgem nas redes sociais, particularmente no LinkedIn. Saltam aos olhos por atrapalhar o tráfego de conquistas e anúncios, pelo número de compartilhamentos e, principalmente, pelo desespero confessado sem rodeios. Em sua maioria, são mensagens de mães e pais de família. Gente que há meses garimpa oportunidades. Elas causam um choque diferente daquele que sentimos nas ruas. Paradoxalmente, ele parece mais próximo. Porque, de certa maneira, nossos contatos nos espelham.No curto prazo, não há muito o que fazer. Compartilhar o apelo; indicar para amigos; ajudar a revisar o currículo; oferecer vagas em treinamentos. Além, claro, da palavra amiga, um incentivo e algum conforto. A situação pede urgência e não há tempo e muito menos ânimo para conversas chatas do tipo “sua carreira é viável”? Remediado o caso, ainda que com um frila-band-aid, podemos puxar o assunto. E é inevitável o começo pelas más notícias.

A médio e longo prazos, várias profissões deixarão de existir ou serão totalmente redesenhadas. Em que pé anda a sua? Fazendo a análise proposta neste artigo, quantas tarefas sobrevivem aos movimentos de padronização, automação e externalização?

Além disso, considere o seguinte: as empresas estão aprendendo a se virar sem aquele pessoal que foi demitido. Nossa economia vai se recuperar uma hora¹. Quando acontecer, é pouco provável que todas aquelas vagas sejam reabertas. Apenas um salto absurdo e quase instantâneo do PIB justificaria contratações em massa. Isso não vai acontecer, seja qual for o salvador da pátria escolhido no ano que vem. A recuperação será lenta. E é preciso aceitar que alguns postos de trabalho se foram para sempre. Quem está escrevendo isso é tido como um otimista incurável. Que a sequência do artigo comprove isso.

Redesenhando a Carreira

Nossa evolução, até aqui, significou um emaranhado de silos e caixinhas. Se você quer se especializar em alguma coisa, tem à sua disposição um cardápio com mais de oitenta mil disciplinas. As organizações – sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor – oferecem milhares de funções diferentes. A princípio, não há nada de mal nem de errado nisso. Se você precisar de uma cirurgia no cérebro, é lógico que não vai se contentar com um clínico geral. Especialistas, em qualquer área, continuarão necessários.

Mas a especialização não basta. Ela não é suficiente para garantir uma carreira viável. Você já viu esse papo antes, sobre a tal carreira em T. O traço vertical indica uma especialização. Na horizontal, seus “conhecimentos gerais ou genéricos”. É fácil chegar até essa sugestão. Mas precisamos ir além da página três. Afinal, o que significa a horizontal? Que você é culto, eclético e está em dia com as notícias? A visão holística² de um negócio? Que garantia isso dá para um profissional? Onde se aprende isso? Basta ser curioso, atento e antenado?

O Complexo do Eco³

“Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.”

Umberto Eco nos deixou essa provocação em seu último livro publicado em vida, Número Zero (Record, 2015). Conclusão curiosa de um bem sucedido sabedor de muitas coisas. Nos serve como alerta: amplitude de conhecimentos e experiências não se constrói com uma metralhadora giratória. Não é uma questão de agregar hobbies e interesses diversos ao currículo. Não basta prestar serviços comunitários ou conseguir uma cadeira em um conselho de administração. Mas eu não estou sugerindo que você seja um porco-espinho³.

Quanto tempo você tem de estrada?

Se já rodou bastante, saiba, você pode ter algumas vantagens. Aliás, várias. Qual é o seu portfólio de habilidades? Quais e quantas você conseguiria transferir para outro contexto – para uma área que não seja a sua? Quantas vezes você experimentou isso? Entenda: é explorando que você desenha e amplia o traço horizontal do T. Tem uma vida dedicada à iniciativa privada? Quais conhecimentos e habilidades seriam úteis na administração pública ou em uma ONG? Passou uma vida inteira no varejo? O que você pode agregar para a indústria ou para uma empresa de serviços? Está enferrujado na contabilidade? Que tal uma transferência para TI? O que você pode levar para lá?

Você não é o sênior que de repente virou estagiário porque mudou de área ou função. Se os seus conhecimentos, habilidades e ferramentas não fizerem nenhum sentido naquele novo contexto, então você não está desenhando um T. Está colocando uma trema no Ï. Pode ser divertido. Se é isso o que você procura, tudo bem. Mas não se esqueça que a ligação de pontos muito esparsos pode não ser trivial nem factível.

Então é isso, uma questão de levar uma mochila repleta de habilidades para outras áreas? Claro que não. Esse é o ponto de partida, não o de chegada. Quem faz esse movimento deve estar preparado para aprender muito. E rápido. Fazer com que essa aprendizagem signifique a ampliação dos dois traços do T é o desafio.

E a turma nova? O que significa uma carreira em T para quem está começando agora? A possibilidade de expandir as duas linhas de forma quase simultânea. Entretanto, há duas grandes barreiras no caminho: a escola e a empresa. A escola força uma escolha muito cedo e te joga num silo quase sempre hermético. As empresas contratam e continuarão contratando especialistas. Ou seja, se você deseja ter formação e carreira mais amplas – um T ao invés do I –  não conte com muito apoio. A iniciativa deve ser sua. E o plano também.

Conversaremos sobre isso no próximo artigo. Inté!

Notas

  1. Infelizmente, pelo andar da carruagem, não é sensato apostar em ganhos significativos até 2020. Quem comemora a criação de trinta ou quarenta mil vagas em um mês parece se esquecer do universo com 14 milhões de desempregados. Alguém aí comemorou o nosso gol no fatídico 7×1?
  2. O termo “holístico” dá margem (!) para muitas interpretações. Ao falar de uma visão “do todo”, o universo é o limite para muita gente. Saber delimitar ou identificar fronteiras é uma característica chave do Pensamento Sistêmico. E um antídoto contra papos viajandões.
  3. Interpretação minha, ok? Eco não batizou nem qualificou aquela conclusão. Utilizo “complexo” no sentido psicológico – “sou complexado”. Este artigo de Victor Lisboa, no Papo de Homem, sobre o porco-espinho e a raposa, estica bem o assunto.
  4. T, de crodriguesc, ilustra este artigo.
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Pelo Prazer de Trabalhar https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/12/13/pelo-prazer-de-trabalhar/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/12/13/pelo-prazer-de-trabalhar/#comments Tue, 13 Dec 2016 15:41:28 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6079 Quando foi a última vez que você fez ou aprendeu algo e nem viu o tempo passar? Esses momentos de total concentração e êxtase lhe são comuns? Você consegue repeti-los de forma sistemática no trabalho? A grande maioria responde não para as duas últimas questões. Triste, considera estranha ou até indevida essa mistura de prazer e gozo com aprendizagem e vida profissional. “Onde já se viu?”Vemos essa combinação com grande frequência. Mas ela aparece em campos que muitos nem consideram profissões. Lembre-se da explosão de um jogador de futebol; da concentração de um ator; do voo de um guitarrista durante um solo. Oras, o que nos impede de trocar esses personagens por um engenheiro, um médico e um advogado? Parafraseando Ackoff, malditos sejam aqueles que ergueram muros entre aprendizagem, diversão e trabalho¹. Não era para ser assim. E, se quisermos uma carreira viável, não pode mais ser assim.

Gary Hamel, em O Que Importa Agora? (Campus, 2012), sugere uma hierarquia das capacidades humanas. De baixo para cima: Obediência, Zelo, Expertise, Iniciativa, Criatividade e Paixão. Se tudo o que você tem a oferecer concentra-se nos três primeiros itens, preocupe-se. Atividades que pedem “só” por isso já foram padronizadas, terceirizadas e automatizadas. Agora, são externalizadas². Sem exagero: não há futuro aqui. Cruze isso com a proposta de reforma da previdência e descabele-se.

Não há atalhos para esse novo mundo do trabalho. Mas existe um caminho. Aliás, um FLUXO.Aqueles com pequena bagagem em termos de conhecimentos e habilidades estão: 1) apáticos – se pouco desafiados; 2) preocupados; ou 3) ansiosos – se o tamanho dos desafios é inversamente proporcional às suas capacidades.

Kevin Kelly, em The Inevitable (Viking, 2016), diz que nesse novo mundo somos todos iniciantes. Mas a população nesses três cenários já é imensa. E insatisfeita pra chuchu, como provam várias pesquisas. Quem está bem municiado mas é pouco desafiado vive no tédio ou, pior ainda, trata seus afazeres com arrogância e desdém. Perigosa “zona de conforto”, familiar aos que se sentem no controle. Pense naquele sujeito que diz ter dez ou vinte anos de experiência.  Meça até que ponto não seriam dez ou vinte anos da mesma experiência. Essa sensação de controle é ilusória. Uma troca de tecnologia e pimba – olha um estagiário novo aí gente!

O controle, assim como a excitação, pode ser salutar. Desde que a pessoa saiba para onde precisa e quer ir. Essa enxurrada de coaches, mentores e livros que prometem ajudar na definição do sentido da vida nos permite desconfiar que o número de profissionais sem mapa nem bússola é grande e só faz crescer. Sem julgamento de valor, por favor. Como colocou Tom Peters, “quem não está confuso não está prestando atenção”.

No mundo ideal somos todos FLUENTES. Nossos conhecimentos e habilidades mantém um equilíbrio dinâmico com os desafios apresentados. Insisto: dinâmico. Não há linha de chegada. Mas há conforto e prazer nessa zona. Ou, como lista o autor desta teoria – Mihaly Csikszentmihalyi³, quando no fluxo nós temos:

  • Concentração total;
  • Sensação de êxtase;
  • Muita clareza de propósito;
  • Confiança em nossa capacidade;
  • Serenidade; e
  • Motivação intrínseca: o que criamos é a nossa principal recompensa.

Por isso, nem vemos o tempo passar. É sensação equivalente aos prazeres mundanos e carnais. Porque, quando em fluxo, ativamos os mesmos mecanismos cerebrais. Porque, como coloca Daniel J. Levitin em A Mente Organizada (Objetiva, 2014), recebemos “agradáveis doses de dopamina”. Mais que isso: também desativamos a parte do córtex pré-frontal responsável pela autocrítica e a amígdala, a parte do cérebro que nos deixa com medo. Enfim, sem a intenção de cometer qualquer heresia: o Fluxo é quase um nirvana, quase um orgasmo.

Podemos levar isso para o trabalho? Podemos fazer disso uma rotina? Honestamente, eu acho que deveríamos. Se não pelas razões acima, então pelo simples fato de que quase todos os outros trabalhos serão delegados para quem não cria, não procria e nem se apaixona.

Merchandising

Já tem um tempinho que tento transferir o FLUXO para meus treinamentos. No próximo artigo vou mostrar como ele se transformou na espinha dorsal da OPA! Oficina de Projetos de Aprendizagem. E mais: como ele combina muito bem com o Scrum.

Notas

  1. Ackoff’s Best – Russell L. Ackoff (Wiley, 1999).
  2. Falo um pouco mais sobre isso em O Futuro das Profissões.
  3. Taí um nome – Mihaly Csikszentmihalyi – que nunca arriscaria dizer em sala ou em qualquer outro lugar. Mihaly é húngaro e apresentou sua teoria em Flow: The Psychology of Optimal Experience (Harper & Row, 1990). Há um belo resumo na forma de uma palestra para o TED (Fluidez – o segredo da felicidade).
  4. Entre a ideia para este artigo e a revisão final gastei pouco menos de duas horas. Não vi o tempo passar. E quase dei um soco no ar ao reler o penúltimo parágrafo. Antes de taxar isso como uma besteira, pense no que te deixa feliz. Tem criação ali, não tem?
  5. Flow – 02, a primeira imagem lá em cima, foi rabiscada por Eva-Lotta Lamm enquanto ouvia ou lia Mihaly. Ela compilou livros com resumos e rabiscos semelhantes. Criativa sacada!
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O Futuro das Profissões https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/25/o-futuro-das-profissoes/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/25/o-futuro-das-profissoes/#comments Mon, 25 Jul 2016 21:40:19 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5223 Muito se fala sobre um mundo sem emprego. Indicadores atuais, do Brasil e do mundo, mostram um cenário preocupante. Se eles sinalizam uma  tendência, o horizonte aparece bem feio. O futuro, nosso e das próximas gerações, será mesmo de desemprego em massa? Existem profissões imunes? O que pode e precisa ser feito hoje?

Copo Bem Vazio

Ninguém corre o risco de soar ridículo ao sugerir que em 5 ou 10 anos não precisaremos mais de caminhoneiros e taxistas. Quem dirigir veículos o fará por esporte ou vício. Operadores de telemarketing? Entre 60% e 80% dos postos devem ser eliminados em poucos anos. Cinco mil robôs cuidam do estoque, logística e remessa em centros de distribuição da Amazon. Drones já fazem entregas?!?

Engana-se quem acha que apenas os trabalhos rotineiros e que exigem pouco do cérebro são passíveis de automação. Advogados, médicos, jornalistas e arquitetos, por exemplo, testemunham um redesenho radical de seus trabalhos. Sistemas já são capazes de orientar peças de acusação ou defesa, debruçando-se sobre infinita jurisprudência (Big Data). Vestíveis e ingeríveis (Internet das Coisas) geram montanhas de dados que desconcertam médicos. Máquinas (Inteligência Artificial) serão mais eficientes e eficazes nos diagnósticos e prescrições. Aliás, elas realizarão a promessa da medicina preventiva. Algoritmos já escrevem matérias jornalísticas. Desenhar prédios e imprimir boa parte deles? Já está acontecendo.

Big Data, Internet das Coisas e Inteligência Artificial são os monstros tecnológicos mais citados quando falamos sobre o futuro do trabalho. Parece não haver nenhuma profissão imune. Nem mesmo aquela que tem fama de ter sido a primeira.

Decomposição Funcional

Não deveríamos tratar as profissões como um todo se a intenção é desenhar seu futuro, seja no curto, médio ou longo prazos. Como sugerem alguns trabalhos recentes¹, faz muito mais sentido olhar para o conjunto de tarefas executado em determinada ocupação. Uma tarefa é uma unidade de trabalho bem definida². Decomposição funcional? Sim, porque só assim conseguimos fazer a seguinte avaliação.Uma tarefa artesanal (ainda) pede pelo toque humano. Não se encaixam aqui apenas os trabalhos que exigem destreza manual, mas todos que requerem empatia e criatividade. Como as saídas são diferentes e de certa forma únicas, concluímos que esses trabalhos não são rotineiros.

Aquilo que é rotineiro é passível de padronização. Guias, checklists, modelos (templates), receitas e procedimentos são formas de padronizar a execução de uma tarefa. Uma vez padronizada, a tarefa pode ser facilmente ensinada e distribuída.

É natural que aquilo que passou pelo estágio anterior seja sistematizado. Trata-se da aplicação de tecnologia mais sofisticada para uso pelo próprio profissional ou pela organização.

Nos três primeiros passos, o trabalho ainda é do profissional ou da organização que o emprega. Claro, inserimos aqui os terceirizados (estejam onde estiverem). No último passo a tarefa vai para as mãos de clientes, curiosos, leigos etc. É o que chamamos externalização. Lembre-se, por exemplo, de quanto trampo os bancos passaram para a nossa alçada. Check-ins automáticos em hotéis e aeroportos e tudo o que se apresenta como autosserviço online são casos de tarefas externalizadas.

Não há um início fixado e a progressão não precisa ser linear. Ou seja, uma tarefa já pode nascer externalizada. Pense no chamado de um carro do Uber, por exemplo.

Se não todas, a grande maioria das profissões pode ser estudada assim, como conjuntos de tarefas ou trabalhos (jobs). E são raros os casos onde uma profissão completa se encaixa em apenas um dos estágios de comoditização. Se for o caso, quanto mais à direita no gráfico, menor o salário e maior o risco de extinção.

Profissões são Meios

As profissões são a forma que inventamos para disponibilizar conhecimento especializado. Ou seja, conhecimentos e habilidades não são apenas requisitos para o desempenho de uma profissão. São seu objetivo principal. A sociedade nos autoriza, assim como faz com empresas, a resolver problemas. Portanto, profissões são meios, nunca o fim.

E o que está acontecendo? Uma perfeita tempestade deflacionária³. A sociedade está encontrando meios mais eficazes e baratos de resolver problemas. Meios que driblam ou confrontam o monopólio das profissões. Serviços que desmistificam papéis e aumentam consideravelmente o número de pessoas que podem ter acesso às soluções. Sejam elas médicas, jurídicas, educacionais, arquitetônicas etc. Por isso estaríamos caminhando para uma sociedade pós-profissional.

Copo Meio Cheio

Essa revolução não acontecerá do dia para a noite. Mas, ao que tudo indica, ela já começou. E caminha a passos largos. A resistência através de leis e cercadinhos não terá efeitos duradouros. Discursos empolados e repletos de neologismos e jargões surtirão efeito contrário – aumentarão o ímpeto pela desmistificação daquele trabalho. Como bem escreveu Joshua Cooper Ramo, “forças estão eliminando um sistema. Mas também estão produzindo outro.”³

Nós, de negócios e TI, participamos ativamente dessa transição. O que se questiona, com muita razão, é o  quão conscientes e consequentes estamos sendo. Vislumbrar apenas o próprio umbigo não seria uma atitude muito inteligente. E pensar que nossas próprias profissões estariam salvas é ilusão bastante perigosa.

O que pode ser pensado e o que precisa ser feito?

Há as questões morais amplas, que deveriam ser feitas por todo mundo. A principal delas talvez seja: “qual futuro queremos para nós, nossos filhos e netos?” Está longe do escopo deste artigo propor respostas.

Restam as questões mais pragmáticas. Quantas de nossas tarefas seguem o inevitável caminho da comoditização total? Quais seguirão artesanais em médio e longo prazos? Elas serão suficientes para garantir determinado nível de renda? Quanta oferta delas existirá? Quais outros trabalhos eu posso vislumbrar? E quais habilidades e conhecimentos são necessários para desempenhá-los? Serei nessas tarefas melhor que uma máquina?

Encerro com uma desconfiança bem mineira: quem tenta trabalhar como uma máquina já perdeu o jogo.

Notas

  1. The “Task Approach” to Labor Markets: An Overview (pdf)
    David H. Autor, 2013
    The Future of the Professions
    Richard e Daniel Susskind (Oxford University Press, 2015)
    Este artigo é quase um resumo do livro acima. Fiquei ainda mais assustado do que estava, mas concordo com a tese dos autores.
  2. Quando falo sobre Processos de Negócios, ensino que uma tarefa é indivisível. Na decomposição proposta acima uma tarefa pode ser quebrada. No flit eu uso o termo trabalho (job) ao invés de tarefa. Exatamente para evitar esse tipo de confusão. Veja, por exemplo, que um Analista de Negócios pode assumir 8 trabalhos essenciais. Quais deles podem ser externalizados? Bom exercício.
  3. Mais assustador que o livro dos Susskind é The Seventh Sense, de Joshua Cooper Ramo (Little, Brown & Co., 2016). Não por acaso é o livro mais citado neste artigo da McKinsey (What CEOs are Reading). Não trata apenas de trabalho, mas dessa traumática passagem do mundo para a Era das Redes. É para estômagos fortes e mentes abertas.
  4. Uma olhada no futuro igualmente dramática mas menos pessimista é oferecida por Kevin Kelly em The Inevitable: Understanding the 12 Technological Forces That Will Shape Our Future (Viking, 2016). Como já havia colocado numa rede social, parece até uma nova versão de A Vida Digital, de Nicholas Negroponte (Companhia das Letras, 1995). É tão provocativo e esclarecedor quanto.
  5. glass half full é o título da imagem de hoje. Compartilhada via flickr por David Shores.
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