Cotidiano – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br Thu, 10 Sep 2020 13:45:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/wp-content/uploads/2021/01/cropped-head_512x512-32x32.png Cotidiano – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br 32 32 Aviso aos Navegantes Acelerados https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2020/09/10/aviso-aos-navegantes-acelerados/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2020/09/10/aviso-aos-navegantes-acelerados/#respond Thu, 10 Sep 2020 13:45:14 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=9229 Eu sei, você está com pressa. Por isso este aviso não vai ultrapassar o limite de 250~300 palavras. Se a sua velocidade de leitura fica na média, isso significa que este post custará, mais ou menos, um minuto da sua vida. Sessenta segundos! Valerá a pena? Você dirá.

Já me pediram para vender aulas gravadas. Assim a pessoa poderia sorver meu conteúdo de madrugada, distante dos ruídos da vida, tocando os vídeos a 1.5x. 

Já sugeriram que eu disponibilizasse meus artigos na forma de podcasts. Seria mais um nessa cacofonia infinita. Mas, veja bem: a pessoa poderia sorver meu conteúdo enquanto cozinha, malha, se banha ou… 

Já concluíram que a nova geração não lê. Portanto, eu deveria explorar os novos meios se não quiser ficar falando com as paredes. 

135 palavras. As questões estão dadas. Respostas:

Aula é interação. Aumentamos as nossas chances de troca e de aprendizagem se estivermos de fato juntos, ao vivo, síncronos. Conversando.

A leitura não é uma habilidade inata. É algo que devemos aprender. É hábito que se desenvolve. É um exercício que movimenta o cérebro de uma forma diferente. A gente pensa diferente enquanto lê. São pensamentos potencialmente melhores porque tendem a ser mais profundos, atentos. Como se não bastasse, nossa escrita tende a melhorar também. Daqui a cem anos, se ainda estivermos por aqui, leitura e escrita continuarão sendo habilidades essenciais. 

O que não quer dizer que podcasts, vídeos e games não tenham o seu valor. Claro que têm. Mas não ao ponto de tornar obsoletas as conversas que acontecem tête-à-tête ou através das palavras escritas.

De qualquer maneira, sou muito grato pela sua preocupação. E pelo seu tempo. Vai lá, deve estar na hora.

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A Lei de Durden https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/19/a-lei-de-durden/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/19/a-lei-de-durden/#respond Fri, 19 Jan 2018 17:05:08 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6850 Nós detestamos leis. Mas, quando é caso, falamos que elas estão em falta. Em outras tantas vezes, reclamamos do excesso. Ou dos autores. Que moral tem um legislativo lotado de foras da lei? Até gostaríamos que leis escritas por homens nos dessem um mínimo de tranquilidade. É triste descobrir que elas são frágeis como cascas de ovos. “Escrito em pedra”. Balela. Pedras rolam e perdem a memória. O mundo gira, muda e torna as leis dos homens obsoletas. Ainda bem. Quem gostaria de viver no mundo do “olho por olho, dente por dente”? Melhor não perguntar.

Porque 33,33% da população mundial gosta da certeza e crê numa estabilidade. É o exato oposto do terço que sempre quer mudar alguma coisa. Esses dois lados brigam por fatias do ? restante. Aquele que, como Humpty Dumpty, adora um muro e vive de quebrar a cara por causa de sua indecisão. Ou por causa de suas decisões. Quem sabe?

Feitas as contas, não é de se estranhar que apenas 0,01% da humanidade fique com os louros e dólares. E, consequentemente, com as leis dos homens.

Ah, doce vingança: nem todo o ouro do mundo é capaz de fazer de um trilhardário um imortal. Nenhuma grana corrompe a segunda lei da termodinâmica. E o pedágio da lei da gravidade é caro e dura pouco. Em outras palavras: as leis da natureza são mais confiáveis. Elas valem aqui em Varginha, em New York, Hong Kong e nos novos confins do multiverso. Elas não distinguem o pobre do rico, a mortadela da coxinha. Para elas são indiferentes as cores, crenças e raças. Convém respeitá-las.

No último artigo eu citei três leis naturais¹ com nomes de homens. Isso confunde.

A Lei de Ashby diz que só a variedade absorve variedade. Quanto mais diversos os nossos interesses, maiores as nossas chances de sobreviver e prosperar na complexidade. Nosso corpo complexo agradece a variedade dos pratos que comemos. Um time uniforme será bem sucedido num “hello world” e olhe lá.

A Lei do Conway diz que nossos produtos são nossos espelhos. Somos relaxados, egoístas, desorganizados ou mal estruturados? O produto é prova incontestável. Somos entrosados, equilibrados e bem motivados? O produto brilha. Os clientes agradecem. Oras, é só uma releitura da Regra de Ouro.

A Lei de Brooks diz que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Na verdade, ela fala que colocar mais gente em um projeto problemático é como tentar apagar um incêndio com gasolina. É a mesma coisa, o mesmo princípio. Mais gente, mais ruído, mais confusão.

Ter o próprio nome numa lei vale quase um Nobel. Isso deve explicar algumas falcatruas. Como pegar “o que não me destrói me fortalece (ou engorda)” e transformar na verborragia de Antifragile. Ok, jogo jogado. Azar do Nietzsche. Assim como foram azarados Occam, Hanlon e Caetano: só batizaram navalhas.

Mas triste, triste mesmo, é aquele que não pode clamar uma descoberta por não existir. É o caso de Tyler Durden² – uma ficção dentro de uma ficção. Se ele, assim como Vital³, pudesse escrever uma constituição, ela começaria assim: “Uma pena enfiada em sua bunda não faz de você uma galinha”.  A Lei de Durden. Clara como aquela que diz que “para bom entendedor, um pingo é letra.”

Notas

  1. Confesso, abusei do termo natural. Com boas intenções.
  2. Personagem de Clube da Luta, livro de Chuck Palahniuk (1996) e filme de David Fincher (1999).
  3. Personagem de Dos Margaritas, música dos Paralamas do Sucesso lançada no ótimo e subestimado disco Severino (1994). Vital já havia surgido com uma moto em outro sucesso.
  4. A imagem de hoje, fight club, foi compartilhada por Brent humanartistvendingm no flickr.
  5. Mais leis, navalhas, princípios e teoremas podem ser vistos em Lex Animata – Uma Constituição não Promulgada.
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A Simplicidade https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/12/a-simplicidade/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/12/a-simplicidade/#comments Fri, 12 Jan 2018 18:34:42 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6829 A simplicidade é uma arma quente¹. Quem não gosta do que é simples e direto? Quem não distingue uma boa resposta da enrolação? Quem não curte um bom feijão com arroz?A complexidade lá fora é grande e só vai aumentar. Exponencialmente. Um contraponto é necessário. Que a nossa resposta seja o exato oposto. Que seja simples, não simplória. A gente sabe distinguir. Todo mundo sabe.

Desconfio, como bom mineiro², que se aquela turma que publicou o Manifesto Ágil tivesse utilizado a ferramenta 5 Porquês o grito seria outro: um Manifesto pela Simplicidade. Soaria menos ambíguo. Não teríamos que aguentar distinções absurdas entre o adjetivo e o substantivo. E a agilidade seria uma consequência natural – uma propriedade que emerge do que é simples.

Torço, como bom cidadão, para que juízes, advogados, vendedores e políticos sofram uma epidemia de senso de ridículo. E passem a rir de seu passado de falas e escritos empolados – há termo mais adequado? Que as togas sigam o mesmo destino.

A simplicidade é um valor universal. A navalha de Occam deveria ser treinada desde a pré-escola. Ai dos professores que complicam. Azar dos jênios que insistem em explicar algo que ainda não aprenderam.

Não é fácil ser simples. Entender que menos é mais é um desafio e tanto em vários contextos. Na escrita, no desenho de produtos e soluções, na pauta de uma reunião, em propostas para clientes, numa declaração de amor. A combinação de Occam com Pareto pode ajudar. Dizer em duas páginas aquilo que gastou dez. Resumir em segundos aquele vídeo que dura uma eternidade. Acelerar a declaração com um sincero beijo roubado.

Um desejado efeito colateral: nosso vocabulário ficaria enxuto e elegante. Palavras difíceis e estrangeirismos seriam recebidos com desconfiança. Substantivos transformados em verbos soariam como arrotos. O focado perderia sentido – nunca teve. Imagina a claridade.

Não é fácil ser simples. Mas precisamos tentar. De complexo basta o mundo.

Notas

  1. John Lennon cantou que “a felicidade é uma arma quente”. Desconfio que há uma forte relação entre a felicidade e a simplicidade.
  2. João Guimarães Rosa explicou os bons mineiros: a gente não sabe nada; mas desconfia de muita coisa.
  3. Mea culpa: um breve passeio pelo finito vai mostrar como posso ser prolixo, verborrágico, redundante e desnecessariamente complicado. Como na última frase. Porque isso é fácil.
  4. The Black & White de Robin Mehdee ilustra este artigo.
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Conquistando o Mundo https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/#respond Wed, 10 Jan 2018 18:05:30 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6810 No início eram as trevas do código de máquina. Nos rebelamos e criamos interpretadores e compiladores. Insatisfeitos com a ditadura dos editores genéricos, demos à luz as nossas IDEs. Brincamos com bibliotecas de componentes nunca reutilizados só porque pareciam uma boa distração.Mas havia algo de insano em nosso reino. Éramos comandados por gente que não entendia nossas línguas. Pior: eram pessoas que tinham muita dificuldade em perceber valor em nossos patterns, frameworks e afins. E que, apesar disso, achava que podia impor checkpoints, deadlines e um método de trabalho. Insano…

Criamos nossos métodos e desinventamos os gerentes. Gente criativa precisa de E S P A Ç O, sabe? Você acha que Bach, Kubrick e Malmsteen tinham restrições de prazo, orçamento e escopo?

Ficamos fortes. Afinal, software roda o mundo. Nada mais justo que seja assim.

Então nos deparamos com outra barreira. Mais perniciosa que os gerentes. Mais sufocante que a mamãe. Mais desmotivadora do que papo de gente do RH. Tínhamos mesmo que trabalhar para o negócio dos outros? Essa gente não tem visão. Aliás, não tem nem mesmo um Canvas que explique aquela bagunça toda. Representam um sistema complexo e não sabem nada sobre complexidade. Nunca tinham ouvido falar no Cynefin! Enfim…

Criamos nossos próprios negócios. Startups finíssimas, focadas no crescimento e na experiência dos clientes e no bem estar dos colaboradores e no rendimento dos acionistas e… Ágeis como prego no angu, com CEOs que não tropeçam no javascript, não se intrometem nos devops e sabem configurar hadoops. O paraíso na terra, bem representado em nossos escritórios descolados.

No paraíso surgiu uma cobra balbuciando ‘dinheiro’. Estamos condenados a nos deparar com gente que só traz restrições? Inventamos nosso próprio dinheiro! Toli-toli-tolá, a cobla ficou lá¹… Ou, para os pós-modernos: #chupacobra!

Agora surge essa gente inútil – políticos – falando em regulamentação. Eles não perdem por esperar…As dicas do artigo anterior – Lendo o Amanhã – precisavam de um contraponto. Aqueles três livros, de uma maneira ou de outra, pintam um futuro muito bonito. Existem riscos. E eles não podem ser ignorados.A pequena crônica acima foi inspirada por The Know-it-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (The New Press, nov/2017), de Noam Cohen. O autor descreve os riscos da perigosa combinação “da arrogância dos hackers com a ganância de empreendedores”. Não é nada condescendente com gente como Zuckerberg, Peter Thiel, Jeff Bezos, a dupla do Google e Marc Andreessen, dentre outros. World Without Mind: The Existential Threat of Big Tech (Penguin, set/2017), de Franklin Foer, aponta especificamente para Amazon, Apple, Facebook e Google. E mostra como esses gigantes podem fazer muito mal. Aliás, já estão fazendo. Enquanto a Europa parece atenta e gulosa nas multas aplicadas, do lado de cá do Atlântico essas empresas nadam de braçada. E começam a participar do jogo político de todas as formas imagináveis. E além!Um olhar de dentro, um pouco mais divertido mas não menos preocupante é oferecido por Antonio García Martínez em Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Silicon Valley (Harper, jun/2016). Martínez trabalhou no Facebook e Twitter e descreve suas aventuras na região de San Francisco entre 2010 e 2014. Conta tudo e só não revela os nomes dos “verdadeiramente culpados”. Para protegê-los.Pindorama não oferece ameaças. Não por falta de arrogância e ganância. Talvez seja só por carência de ideias mesmo. Mas a gente merecia: 1) receber os títulos acima em pt-br, não apenas aqueles que pintam horizontes cor de rosa; e 2) um livro sobre o lado negro da pseudo-força da TI nacional. Recife, Rio, Floripa, Blumenau, Fortaleza, Campinas, Itajubá, Sta. Rita, SJC, Sampa… todos pólos cheios de boas histórias. Basta de press-releases na imprensa chapa branca orientada ao jabá. A gente também aprende com o caos. E ainda pretende conquistar o mundo. Ou, se tudo der certo, aquele cantinho em Angra.

Notas

  1. Para quem não faz a mínima ideia do que estou falando: conheça a Cobrinha Azul.
  2. html php java source code, a foto no topo, foi compartilhada no flickr por Markus Spiske.
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Lendo o Amanhã https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/08/lendo-o-amanha/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/08/lendo-o-amanha/#respond Mon, 08 Jan 2018 16:42:27 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6794 A cigana leu o meu destino
Eu sonhei!
Bola de cristal
Jogo de búzios, cartomante
E eu sempre perguntei
O que será o amanhã?

Para quem prefere chutes um pouco menos esotéricos, seguem três livros que ajudam a entender o que vem por aí. Amanhã e depois.A Vida Digital, de Nicholas Negroponte, ainda é um caso único. Lançado em 1995, o livro descrevia cenários que pareciam distantes. Uma rede global livre e gratuita, comércio eletrônico, sistemas abertos (Linux, Apache etc), dedos substituindo o mouse, vídeo por demanda (Netflix, Youtube), neutralidade da rede, empurrar x puxar, o avanço da China, o que recebemos por cabo virá pelo éter (telefone) e viceversa (TV). Havia um amanhã bem descrito naquele livro. Em grande parte, um futuro desejável.

Cá estamos, com quase tudo o que Negroponte antecipou e um tanto de consequências menos agradáveis. A bagunça gera um nevoeiro espesso. Olhando a tecnologia, um dos propulsores das mudanças aceleradas, temos apenas mínimas certezas. Quase todas derivadas da Lei de Moore. Talvez o trabalho de desenhar cenários agora seja mais difícil que o de Negroponte. Por isso selecionei três dicas de leitura. Três perspectivas que, apesar das sobreposições (Big Data, IA, IoT etc), são diferentes e complementares.

Inevitável – As 12 Forças Tecnológicas que Mudarão Nosso Mundo

Kevin Kelly é cofundador da revista Wired (que teve Negroponte como colunista nos bons tempos) e autor de livros de sucesso, dentre eles Para Onde nos Leva a Tecnologia (Bookman, 2012). Otimista confesso, pinta um futuro cor de rosa. Somos alertados sobre seu viés.

Rotular as 12 forças como inevitáveis foi corajoso. Projetar algumas no horizonte de 20, 30 ou 100 anos é arriscado. Mas seus argumentos são fortes. E os exemplos têm o jeito das profecias autorrealizáveis. O livro deve servir como fonte de inspiração para designers e arquitetos de soluções.

As 12 forças são apresentadas como verbos. Porque, explica Kelly, nessa nova era tudo é fluxo – tudo está em movimento e não há linha de chegada. Segue a lista¹: Becoming, Cognifying, Flowing, Screening, Accessing, Sharing, Filtering, Remixing, Interacting, Tracking, Questioning, Beginning. Em cada capítulo temos a chance de ver casos de uso de Big Data, Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina, Internet das Coisas etc.

Dentre as várias provocações, uma deveria virar pôster ou camiseta: “Nessa nova era, somos todos iniciantes. Pior, seremos iniciantes (newbies) para sempre.

1ª Edição – HSM, 04/2017 (368 páginas)

Whiplash – Como Sobreviver ao nosso Futuro Acelerado

Joi Ito ocupa o cargo que já foi de Nicholas Negroponte no MIT Media Lab. Jeff Howe é seu colega, já escreveu para a Wired e nela criou o termo Crowdsourcing.

A Alta Books nos fez o desfavor de trocar o chicote (Whiplash) por “Disrupção e Inovação”. Que o restante da tradução não siga a linha “use a hashtag da moda”. Porque o livro não fala de modismos, muito pelo contrário.

Os autores nos apresentam os 9 princípios que guiam os estudos e trabalhos no Media Lab. Eles dizem que “fomos abençoados (ou condenados) a viver numa era interessante”. Num tempo em que nossas tecnologias “ultrapassam a nossa capacidade de compreensão”.  E repetem o McLuhan que eu vivo replicando neste finito: “nossas ferramentas e conceitos ficaram obsoletos”. Os 9 princípios nos ajudariam a atualizar nossa caixa de ferramentas e sobreviver. Eles são apresentados assim:

Emergência ? Autoridade
Puxado (pull) ? Empurrado (push)
Bússolas ? Mapas
Riscos ? Segurança
Desobediência ? Conformidade (compliance)
Prática ? Teoria
Diversidade ? Habilidade
Resiliência ? Força
Sistemas ? Objetos

São sugestões que vemos por aí não é de hoje. A diferença está na amarração – no conjunto. Cada capítulo ilustra, com riqueza de exemplos, a urgência de dado princípio. Leitura fácil e às vezes poética. Quando, por exemplo, sugere que a gente “dance no espaço entre as disciplinas”.

1ª Edição – Alta Books, 11/2017 (320 páginas)
Não sei porque está indisponível nas lojas. Se for o caso, corra para a versão original em inglês.

WTF?: What’s the Future and Why It’s Up to Us

Tim O’Reilly não gosta de ser apresentado como futurista. Mas ele antecipou tanta coisa (WWW, Software Livre, Web 2.0, dentre outras) que fica difícil evitar o rótulo. Seu livro é diferente dos dois anteriores porque: 1) Não evolui a partir de  uma lista de tendências, princípios ou afins; 2) Não faz vista grossa para notícias ruins; e 3) Usa muito o passado para amparar seus argumentos.

O último ponto motivou resenhas negativas como “parece que o cara quer mostrar quanta gente importante ele conhece”. Essa é a diferença: Tim se relacionou com muita gente que fez e faz diferença, em TI, economia, política etc. E justifica o apelo ao passado citando Mark Twain: “a história não se repete, mas quase sempre ela rima”.

É pelo segundo ponto acima – por não ficar em cima do muro – que Tim ganhará novos detratores e avaliações com uma estrela. Quando, por exemplo, ele aponta para o início dos anos 1980 e diz que “fizemos a escolha errada. Não precisamos ficar presos a ela”. Ele está falando sobre o momento em que inventamos que “ganância é uma coisa boa”. Em outro trecho ele escreve que “Para cada Elon Musk – que quer reinventar a infraestrutura energética do mundo, criar novas formas de transporte e colocar humanos em Marte – há muitas empresas que estão simplesmente usando a tecnologia para reduzir custos e aumentar o preço das ações, enriquecendo aqueles que podem investir nos mercados financeiros à custa de um grupo cada vez maior que nunca poderá fazê-lo. Os políticos parecem perdidos, assumindo que o avanço da tecnologia é inevitável, e não algo que devemos moldar.” O inevitável da última frase parece provocar o primeiro livro acima. It’s up to us!, insiste. É muito bom que formadores de opinião do tamanho de Tim O’Reilly pensem assim.

Este livro é mais extenso e ambicioso. Em alguns momentos, um pouco chato. Mas, como os outros dois, muito útil no desenho de cenários. Da capa já é possível fazer uma previsão: uma eventual versão tupiniquim não brincará com WTF? PQ$%!

1ª Edição – HarperBusiness, 10/2017 (448 páginas)2018 será outro ano difícil, repleto de confusões e distrações. Que a gente saiba ser o contraponto, com saúde, equilíbrio e inteligência. Feliz ano novo!

Notas

  1. Me baseei na versão em inglês e não sei como as forças foram traduzidas. Por isso preferi manter os termos originais.
  2. O Amanhã, famosa na voz de Simone, foi composta por Didi e João Sérgio.
  3. fleeting memories é um rabisco coletivo compartilhado no flickr por Steve Loya.
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Descarrêgo https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/12/15/descarrego/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/12/15/descarrego/#respond Fri, 15 Dec 2017 12:32:42 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6781 Hora da faxina. Tempo para abrir espaço para ideias e coisas novas. Durante o processo, que a gente aprenda a curar e filtrar mais e melhor. Porque o volume de lixo dedura o tempo perdido. E quem tem tempo a perder? Quem pode se dar esse luxo?

“Se uma revolução destrói um governo, mas os padrões sistemáticos de pensamento que produziram aquele governo permanecem intactos, então aqueles padrões se repetirão…
Há muita conversa sobre o sistema. E pouquíssima compreensão.”
Robert Pirsig, Zen and the Art of Motorcycle Maintenance

 

OS PADRÕES SISTEMÁTICOS ESTÃO AÍ, INTACTOS. Novamente discutimos nomes. Nenhuma ideia, nenhuma proposta. Mais uma vez o time de (des)governo será apresentado depois de terminado o campeonato-eleição, no jogo fisiológico que condena, logo na largada, qualquer plano ou programa. E pensar que talvez fosse bem fácil ganhar uma eleição apresentando um time de primeira na primeira hora. No mínimo, colocaria o debate em outro nível.

Quantos debates de baixo nível roubam nosso tempo? Dá medo até de fazer as contas. Dá saudades do tempo em que bastava a gente apagar qualquer estopim relacionado com “futebol, política ou religião”. Hoje parece haver polarização em tudo. Até no formato da terra?!?

Nossas redes sociais, por ricas que sejam, não estão vacinadas contra três pragas: cupins, chupins e cupinchas. O cupim está sempre destruindo ou desconstruindo algo ou alguém. Abre mão das asas para fazer cocô. O chupim também não cria nada – copia, suga e reclama quando não é de graça. O cupincha não aprendeu que “likes” e comentários que só repetem a mensagem original valem tanto quanto uma nota de três reais. São dados, mas não informam. Informação é a diferença que faz diferença¹. Fidbeque é informação que muda o comportamento do sistema². O resto é diversão ou distração – invariavelmente, desperdício. Mas antes o cupincha estéril do que um cupim babando de ódio.

“É muito fácil ser um expert numa área sem experts: basta levantar a mão.”
Eric Lander (biólogo, matemático e economista)

O requisito fundamental para falar sobre sistemas e complexidade é a humildade. Porque são áreas relativamente novas. Ainda não temos uma base teórica consolidada. Mas vai contar isso para os experts!

Uma estante de livros não é um sistema. A segunda lei da termodinâmica é meio falsa³. A combinação dos termos “estático” e “sistêmico” não é piada de mau gosto. O mundo ou a sua empresa tem dois tipos de pessoas: X e Y, petralhas e coxinhas, nós e eles. O expert em “antifragilidade” (sic) apoia o Trump!?! Fake news? Chame a coisa pelo nome: MENTIRA! Tem hora que não é questão de expertise. O velho bom senso não ficou obsoleto.

Uma conversa difícil, com um monte de termos obscuros e aquele sorriso do tipo “eu sei algo que você não sabe e não vou te contar” não são sintomas de expertise. São sinais de fraqueza. São muros de Trump, tão sólidos e reais quanto.

“… é a melhor era para estar vivo, quando quase tudo o que você pensa que sabe está errado.”
Tom Stoppard (dramaturgo inglês na peça Arcadia, 1993)

Por isso erguemos muros trumpianos: quando o que está após a vírgula da frase acima nos fala mais alto do que aquilo que veio antes dela. É medo. É humano.

O desafio que se coloca é gostar da nossa era. Não das desigualdades,  desequilíbrios e injustiças que a caracterizam. Mas gostar da luta contra tudo isso. Cientes de que há muito o que aprender. E, pelo visto, muito mais a desaprender… Descarrega!

Notas

  1. Gregory Bateson.
  2. Stafford Beer, se pudesse, escolheria outra palavra para descrever a retroalimentação de um sistema. Para ele, fidbeque (ou feedback) lembra vômito. E é erroneamente interpretada como uma resposta. (The Heart of the Enterprise, p. 59. Wiley, 1979).
  3. Albert Einstein disse que a segunda lei da termodinâmica deve ser a única que nunca será destronada. Sir Arthur Eddington escreveu que “se sua teoria vai contra a segunda lei da termodinâmica eu não posso te dar nenhuma esperança – seu destino é a pura humilhação”.
    Mas, caramba, isso é ciência. E se um caro colega descobriu uma forma de fazer só metade de cocô, alterando sua entropia pessoal enquanto mantém uma dieta diária de 2k calorias, sorte dele. Ou azar, vai saber. Eu não quero saber. É muito cocô para um artigo só. 
  4. Heavy weights!, a foto acima, foi liberada por Abhishek Sundaram no flickr.
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2017 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/11/03/2017/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/11/03/2017/#respond Thu, 03 Nov 2016 18:28:24 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5896 Mente curiosa a nossa. Uma simples mudança no calendário afeta ânimos, gera otimismo. Muita gente não vê a hora de comemorar a chegada de 2017. Na verdade, torcem mesmo é pelo fim do acelerado e acidentado 2016: já vai tarde!

Mas a nossa mente tupiniquim tem uns hábitos meio inexplicáveis. Parece haver um limbo entre o réveillon e a quarta-feira de cinzas. Dias e dias em que quase tudo é adiado porque um acordo tácito definiu que, por aqui, o ano só começa depois do carnaval. Sabe-se lá quantos décimos de PIB isso nos custa.

Calendários e relógios são sistemas que inventamos para colocar alguma ordem em nossas vidas. Mas eles não deveriam ditar o nosso humor. Além disso, você assinou o Tratado do Limbo Pré-Carnaval? Nem eu. Causa perdida?

Pode ser. Por isso inventei um novo calendário para o finito: já estamos em 2017 e o carnaval já passou. As datas na agenda ao lado refletem o calendário tradicional, para evitar confusão. Mas, saca só como o ambiente está diferente, mais arejado e colorido. Dá uma passeada pela casa e veja o que há de novo.

Aliás, feliz ano novo!

Mais tarde, num boteco

Pô, mas é fácil assim? Então porque não fazer de conta que já estamos em 2018?

Vish, de jeito nenhum! É ano de eleição, esqueceu?

E de copa…

Pois é, melhor tirar o máximo de 2017 mesmo. Tim-tim!

Demorô! Tim-tim!!

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