A Gente – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br Thu, 10 Sep 2020 13:45:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/wp-content/uploads/2021/01/cropped-head_512x512-32x32.png A Gente – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br 32 32 Aviso aos Navegantes Acelerados https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2020/09/10/aviso-aos-navegantes-acelerados/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2020/09/10/aviso-aos-navegantes-acelerados/#respond Thu, 10 Sep 2020 13:45:14 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=9229 Eu sei, você está com pressa. Por isso este aviso não vai ultrapassar o limite de 250~300 palavras. Se a sua velocidade de leitura fica na média, isso significa que este post custará, mais ou menos, um minuto da sua vida. Sessenta segundos! Valerá a pena? Você dirá.

Já me pediram para vender aulas gravadas. Assim a pessoa poderia sorver meu conteúdo de madrugada, distante dos ruídos da vida, tocando os vídeos a 1.5x. 

Já sugeriram que eu disponibilizasse meus artigos na forma de podcasts. Seria mais um nessa cacofonia infinita. Mas, veja bem: a pessoa poderia sorver meu conteúdo enquanto cozinha, malha, se banha ou… 

Já concluíram que a nova geração não lê. Portanto, eu deveria explorar os novos meios se não quiser ficar falando com as paredes. 

135 palavras. As questões estão dadas. Respostas:

Aula é interação. Aumentamos as nossas chances de troca e de aprendizagem se estivermos de fato juntos, ao vivo, síncronos. Conversando.

A leitura não é uma habilidade inata. É algo que devemos aprender. É hábito que se desenvolve. É um exercício que movimenta o cérebro de uma forma diferente. A gente pensa diferente enquanto lê. São pensamentos potencialmente melhores porque tendem a ser mais profundos, atentos. Como se não bastasse, nossa escrita tende a melhorar também. Daqui a cem anos, se ainda estivermos por aqui, leitura e escrita continuarão sendo habilidades essenciais. 

O que não quer dizer que podcasts, vídeos e games não tenham o seu valor. Claro que têm. Mas não ao ponto de tornar obsoletas as conversas que acontecem tête-à-tête ou através das palavras escritas.

De qualquer maneira, sou muito grato pela sua preocupação. E pelo seu tempo. Vai lá, deve estar na hora.

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A Lei de Durden https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/19/a-lei-de-durden/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/19/a-lei-de-durden/#respond Fri, 19 Jan 2018 17:05:08 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6850 Nós detestamos leis. Mas, quando é caso, falamos que elas estão em falta. Em outras tantas vezes, reclamamos do excesso. Ou dos autores. Que moral tem um legislativo lotado de foras da lei? Até gostaríamos que leis escritas por homens nos dessem um mínimo de tranquilidade. É triste descobrir que elas são frágeis como cascas de ovos. “Escrito em pedra”. Balela. Pedras rolam e perdem a memória. O mundo gira, muda e torna as leis dos homens obsoletas. Ainda bem. Quem gostaria de viver no mundo do “olho por olho, dente por dente”? Melhor não perguntar.

Porque 33,33% da população mundial gosta da certeza e crê numa estabilidade. É o exato oposto do terço que sempre quer mudar alguma coisa. Esses dois lados brigam por fatias do ? restante. Aquele que, como Humpty Dumpty, adora um muro e vive de quebrar a cara por causa de sua indecisão. Ou por causa de suas decisões. Quem sabe?

Feitas as contas, não é de se estranhar que apenas 0,01% da humanidade fique com os louros e dólares. E, consequentemente, com as leis dos homens.

Ah, doce vingança: nem todo o ouro do mundo é capaz de fazer de um trilhardário um imortal. Nenhuma grana corrompe a segunda lei da termodinâmica. E o pedágio da lei da gravidade é caro e dura pouco. Em outras palavras: as leis da natureza são mais confiáveis. Elas valem aqui em Varginha, em New York, Hong Kong e nos novos confins do multiverso. Elas não distinguem o pobre do rico, a mortadela da coxinha. Para elas são indiferentes as cores, crenças e raças. Convém respeitá-las.

No último artigo eu citei três leis naturais¹ com nomes de homens. Isso confunde.

A Lei de Ashby diz que só a variedade absorve variedade. Quanto mais diversos os nossos interesses, maiores as nossas chances de sobreviver e prosperar na complexidade. Nosso corpo complexo agradece a variedade dos pratos que comemos. Um time uniforme será bem sucedido num “hello world” e olhe lá.

A Lei do Conway diz que nossos produtos são nossos espelhos. Somos relaxados, egoístas, desorganizados ou mal estruturados? O produto é prova incontestável. Somos entrosados, equilibrados e bem motivados? O produto brilha. Os clientes agradecem. Oras, é só uma releitura da Regra de Ouro.

A Lei de Brooks diz que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Na verdade, ela fala que colocar mais gente em um projeto problemático é como tentar apagar um incêndio com gasolina. É a mesma coisa, o mesmo princípio. Mais gente, mais ruído, mais confusão.

Ter o próprio nome numa lei vale quase um Nobel. Isso deve explicar algumas falcatruas. Como pegar “o que não me destrói me fortalece (ou engorda)” e transformar na verborragia de Antifragile. Ok, jogo jogado. Azar do Nietzsche. Assim como foram azarados Occam, Hanlon e Caetano: só batizaram navalhas.

Mas triste, triste mesmo, é aquele que não pode clamar uma descoberta por não existir. É o caso de Tyler Durden² – uma ficção dentro de uma ficção. Se ele, assim como Vital³, pudesse escrever uma constituição, ela começaria assim: “Uma pena enfiada em sua bunda não faz de você uma galinha”.  A Lei de Durden. Clara como aquela que diz que “para bom entendedor, um pingo é letra.”

Notas

  1. Confesso, abusei do termo natural. Com boas intenções.
  2. Personagem de Clube da Luta, livro de Chuck Palahniuk (1996) e filme de David Fincher (1999).
  3. Personagem de Dos Margaritas, música dos Paralamas do Sucesso lançada no ótimo e subestimado disco Severino (1994). Vital já havia surgido com uma moto em outro sucesso.
  4. A imagem de hoje, fight club, foi compartilhada por Brent humanartistvendingm no flickr.
  5. Mais leis, navalhas, princípios e teoremas podem ser vistos em Lex Animata – Uma Constituição não Promulgada.
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A Simplicidade https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/12/a-simplicidade/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/12/a-simplicidade/#comments Fri, 12 Jan 2018 18:34:42 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6829 A simplicidade é uma arma quente¹. Quem não gosta do que é simples e direto? Quem não distingue uma boa resposta da enrolação? Quem não curte um bom feijão com arroz?A complexidade lá fora é grande e só vai aumentar. Exponencialmente. Um contraponto é necessário. Que a nossa resposta seja o exato oposto. Que seja simples, não simplória. A gente sabe distinguir. Todo mundo sabe.

Desconfio, como bom mineiro², que se aquela turma que publicou o Manifesto Ágil tivesse utilizado a ferramenta 5 Porquês o grito seria outro: um Manifesto pela Simplicidade. Soaria menos ambíguo. Não teríamos que aguentar distinções absurdas entre o adjetivo e o substantivo. E a agilidade seria uma consequência natural – uma propriedade que emerge do que é simples.

Torço, como bom cidadão, para que juízes, advogados, vendedores e políticos sofram uma epidemia de senso de ridículo. E passem a rir de seu passado de falas e escritos empolados – há termo mais adequado? Que as togas sigam o mesmo destino.

A simplicidade é um valor universal. A navalha de Occam deveria ser treinada desde a pré-escola. Ai dos professores que complicam. Azar dos jênios que insistem em explicar algo que ainda não aprenderam.

Não é fácil ser simples. Entender que menos é mais é um desafio e tanto em vários contextos. Na escrita, no desenho de produtos e soluções, na pauta de uma reunião, em propostas para clientes, numa declaração de amor. A combinação de Occam com Pareto pode ajudar. Dizer em duas páginas aquilo que gastou dez. Resumir em segundos aquele vídeo que dura uma eternidade. Acelerar a declaração com um sincero beijo roubado.

Um desejado efeito colateral: nosso vocabulário ficaria enxuto e elegante. Palavras difíceis e estrangeirismos seriam recebidos com desconfiança. Substantivos transformados em verbos soariam como arrotos. O focado perderia sentido – nunca teve. Imagina a claridade.

Não é fácil ser simples. Mas precisamos tentar. De complexo basta o mundo.

Notas

  1. John Lennon cantou que “a felicidade é uma arma quente”. Desconfio que há uma forte relação entre a felicidade e a simplicidade.
  2. João Guimarães Rosa explicou os bons mineiros: a gente não sabe nada; mas desconfia de muita coisa.
  3. Mea culpa: um breve passeio pelo finito vai mostrar como posso ser prolixo, verborrágico, redundante e desnecessariamente complicado. Como na última frase. Porque isso é fácil.
  4. The Black & White de Robin Mehdee ilustra este artigo.
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Conquistando o Mundo https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/#respond Wed, 10 Jan 2018 18:05:30 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6810 No início eram as trevas do código de máquina. Nos rebelamos e criamos interpretadores e compiladores. Insatisfeitos com a ditadura dos editores genéricos, demos à luz as nossas IDEs. Brincamos com bibliotecas de componentes nunca reutilizados só porque pareciam uma boa distração.Mas havia algo de insano em nosso reino. Éramos comandados por gente que não entendia nossas línguas. Pior: eram pessoas que tinham muita dificuldade em perceber valor em nossos patterns, frameworks e afins. E que, apesar disso, achava que podia impor checkpoints, deadlines e um método de trabalho. Insano…

Criamos nossos métodos e desinventamos os gerentes. Gente criativa precisa de E S P A Ç O, sabe? Você acha que Bach, Kubrick e Malmsteen tinham restrições de prazo, orçamento e escopo?

Ficamos fortes. Afinal, software roda o mundo. Nada mais justo que seja assim.

Então nos deparamos com outra barreira. Mais perniciosa que os gerentes. Mais sufocante que a mamãe. Mais desmotivadora do que papo de gente do RH. Tínhamos mesmo que trabalhar para o negócio dos outros? Essa gente não tem visão. Aliás, não tem nem mesmo um Canvas que explique aquela bagunça toda. Representam um sistema complexo e não sabem nada sobre complexidade. Nunca tinham ouvido falar no Cynefin! Enfim…

Criamos nossos próprios negócios. Startups finíssimas, focadas no crescimento e na experiência dos clientes e no bem estar dos colaboradores e no rendimento dos acionistas e… Ágeis como prego no angu, com CEOs que não tropeçam no javascript, não se intrometem nos devops e sabem configurar hadoops. O paraíso na terra, bem representado em nossos escritórios descolados.

No paraíso surgiu uma cobra balbuciando ‘dinheiro’. Estamos condenados a nos deparar com gente que só traz restrições? Inventamos nosso próprio dinheiro! Toli-toli-tolá, a cobla ficou lá¹… Ou, para os pós-modernos: #chupacobra!

Agora surge essa gente inútil – políticos – falando em regulamentação. Eles não perdem por esperar…As dicas do artigo anterior – Lendo o Amanhã – precisavam de um contraponto. Aqueles três livros, de uma maneira ou de outra, pintam um futuro muito bonito. Existem riscos. E eles não podem ser ignorados.A pequena crônica acima foi inspirada por The Know-it-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (The New Press, nov/2017), de Noam Cohen. O autor descreve os riscos da perigosa combinação “da arrogância dos hackers com a ganância de empreendedores”. Não é nada condescendente com gente como Zuckerberg, Peter Thiel, Jeff Bezos, a dupla do Google e Marc Andreessen, dentre outros. World Without Mind: The Existential Threat of Big Tech (Penguin, set/2017), de Franklin Foer, aponta especificamente para Amazon, Apple, Facebook e Google. E mostra como esses gigantes podem fazer muito mal. Aliás, já estão fazendo. Enquanto a Europa parece atenta e gulosa nas multas aplicadas, do lado de cá do Atlântico essas empresas nadam de braçada. E começam a participar do jogo político de todas as formas imagináveis. E além!Um olhar de dentro, um pouco mais divertido mas não menos preocupante é oferecido por Antonio García Martínez em Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Silicon Valley (Harper, jun/2016). Martínez trabalhou no Facebook e Twitter e descreve suas aventuras na região de San Francisco entre 2010 e 2014. Conta tudo e só não revela os nomes dos “verdadeiramente culpados”. Para protegê-los.Pindorama não oferece ameaças. Não por falta de arrogância e ganância. Talvez seja só por carência de ideias mesmo. Mas a gente merecia: 1) receber os títulos acima em pt-br, não apenas aqueles que pintam horizontes cor de rosa; e 2) um livro sobre o lado negro da pseudo-força da TI nacional. Recife, Rio, Floripa, Blumenau, Fortaleza, Campinas, Itajubá, Sta. Rita, SJC, Sampa… todos pólos cheios de boas histórias. Basta de press-releases na imprensa chapa branca orientada ao jabá. A gente também aprende com o caos. E ainda pretende conquistar o mundo. Ou, se tudo der certo, aquele cantinho em Angra.

Notas

  1. Para quem não faz a mínima ideia do que estou falando: conheça a Cobrinha Azul.
  2. html php java source code, a foto no topo, foi compartilhada no flickr por Markus Spiske.
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Lendo o Amanhã https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/08/lendo-o-amanha/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/08/lendo-o-amanha/#respond Mon, 08 Jan 2018 16:42:27 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6794 A cigana leu o meu destino
Eu sonhei!
Bola de cristal
Jogo de búzios, cartomante
E eu sempre perguntei
O que será o amanhã?

Para quem prefere chutes um pouco menos esotéricos, seguem três livros que ajudam a entender o que vem por aí. Amanhã e depois.A Vida Digital, de Nicholas Negroponte, ainda é um caso único. Lançado em 1995, o livro descrevia cenários que pareciam distantes. Uma rede global livre e gratuita, comércio eletrônico, sistemas abertos (Linux, Apache etc), dedos substituindo o mouse, vídeo por demanda (Netflix, Youtube), neutralidade da rede, empurrar x puxar, o avanço da China, o que recebemos por cabo virá pelo éter (telefone) e viceversa (TV). Havia um amanhã bem descrito naquele livro. Em grande parte, um futuro desejável.

Cá estamos, com quase tudo o que Negroponte antecipou e um tanto de consequências menos agradáveis. A bagunça gera um nevoeiro espesso. Olhando a tecnologia, um dos propulsores das mudanças aceleradas, temos apenas mínimas certezas. Quase todas derivadas da Lei de Moore. Talvez o trabalho de desenhar cenários agora seja mais difícil que o de Negroponte. Por isso selecionei três dicas de leitura. Três perspectivas que, apesar das sobreposições (Big Data, IA, IoT etc), são diferentes e complementares.

Inevitável – As 12 Forças Tecnológicas que Mudarão Nosso Mundo

Kevin Kelly é cofundador da revista Wired (que teve Negroponte como colunista nos bons tempos) e autor de livros de sucesso, dentre eles Para Onde nos Leva a Tecnologia (Bookman, 2012). Otimista confesso, pinta um futuro cor de rosa. Somos alertados sobre seu viés.

Rotular as 12 forças como inevitáveis foi corajoso. Projetar algumas no horizonte de 20, 30 ou 100 anos é arriscado. Mas seus argumentos são fortes. E os exemplos têm o jeito das profecias autorrealizáveis. O livro deve servir como fonte de inspiração para designers e arquitetos de soluções.

As 12 forças são apresentadas como verbos. Porque, explica Kelly, nessa nova era tudo é fluxo – tudo está em movimento e não há linha de chegada. Segue a lista¹: Becoming, Cognifying, Flowing, Screening, Accessing, Sharing, Filtering, Remixing, Interacting, Tracking, Questioning, Beginning. Em cada capítulo temos a chance de ver casos de uso de Big Data, Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina, Internet das Coisas etc.

Dentre as várias provocações, uma deveria virar pôster ou camiseta: “Nessa nova era, somos todos iniciantes. Pior, seremos iniciantes (newbies) para sempre.

1ª Edição – HSM, 04/2017 (368 páginas)

Whiplash – Como Sobreviver ao nosso Futuro Acelerado

Joi Ito ocupa o cargo que já foi de Nicholas Negroponte no MIT Media Lab. Jeff Howe é seu colega, já escreveu para a Wired e nela criou o termo Crowdsourcing.

A Alta Books nos fez o desfavor de trocar o chicote (Whiplash) por “Disrupção e Inovação”. Que o restante da tradução não siga a linha “use a hashtag da moda”. Porque o livro não fala de modismos, muito pelo contrário.

Os autores nos apresentam os 9 princípios que guiam os estudos e trabalhos no Media Lab. Eles dizem que “fomos abençoados (ou condenados) a viver numa era interessante”. Num tempo em que nossas tecnologias “ultrapassam a nossa capacidade de compreensão”.  E repetem o McLuhan que eu vivo replicando neste finito: “nossas ferramentas e conceitos ficaram obsoletos”. Os 9 princípios nos ajudariam a atualizar nossa caixa de ferramentas e sobreviver. Eles são apresentados assim:

Emergência ? Autoridade
Puxado (pull) ? Empurrado (push)
Bússolas ? Mapas
Riscos ? Segurança
Desobediência ? Conformidade (compliance)
Prática ? Teoria
Diversidade ? Habilidade
Resiliência ? Força
Sistemas ? Objetos

São sugestões que vemos por aí não é de hoje. A diferença está na amarração – no conjunto. Cada capítulo ilustra, com riqueza de exemplos, a urgência de dado princípio. Leitura fácil e às vezes poética. Quando, por exemplo, sugere que a gente “dance no espaço entre as disciplinas”.

1ª Edição – Alta Books, 11/2017 (320 páginas)
Não sei porque está indisponível nas lojas. Se for o caso, corra para a versão original em inglês.

WTF?: What’s the Future and Why It’s Up to Us

Tim O’Reilly não gosta de ser apresentado como futurista. Mas ele antecipou tanta coisa (WWW, Software Livre, Web 2.0, dentre outras) que fica difícil evitar o rótulo. Seu livro é diferente dos dois anteriores porque: 1) Não evolui a partir de  uma lista de tendências, princípios ou afins; 2) Não faz vista grossa para notícias ruins; e 3) Usa muito o passado para amparar seus argumentos.

O último ponto motivou resenhas negativas como “parece que o cara quer mostrar quanta gente importante ele conhece”. Essa é a diferença: Tim se relacionou com muita gente que fez e faz diferença, em TI, economia, política etc. E justifica o apelo ao passado citando Mark Twain: “a história não se repete, mas quase sempre ela rima”.

É pelo segundo ponto acima – por não ficar em cima do muro – que Tim ganhará novos detratores e avaliações com uma estrela. Quando, por exemplo, ele aponta para o início dos anos 1980 e diz que “fizemos a escolha errada. Não precisamos ficar presos a ela”. Ele está falando sobre o momento em que inventamos que “ganância é uma coisa boa”. Em outro trecho ele escreve que “Para cada Elon Musk – que quer reinventar a infraestrutura energética do mundo, criar novas formas de transporte e colocar humanos em Marte – há muitas empresas que estão simplesmente usando a tecnologia para reduzir custos e aumentar o preço das ações, enriquecendo aqueles que podem investir nos mercados financeiros à custa de um grupo cada vez maior que nunca poderá fazê-lo. Os políticos parecem perdidos, assumindo que o avanço da tecnologia é inevitável, e não algo que devemos moldar.” O inevitável da última frase parece provocar o primeiro livro acima. It’s up to us!, insiste. É muito bom que formadores de opinião do tamanho de Tim O’Reilly pensem assim.

Este livro é mais extenso e ambicioso. Em alguns momentos, um pouco chato. Mas, como os outros dois, muito útil no desenho de cenários. Da capa já é possível fazer uma previsão: uma eventual versão tupiniquim não brincará com WTF? PQ$%!

1ª Edição – HarperBusiness, 10/2017 (448 páginas)2018 será outro ano difícil, repleto de confusões e distrações. Que a gente saiba ser o contraponto, com saúde, equilíbrio e inteligência. Feliz ano novo!

Notas

  1. Me baseei na versão em inglês e não sei como as forças foram traduzidas. Por isso preferi manter os termos originais.
  2. O Amanhã, famosa na voz de Simone, foi composta por Didi e João Sérgio.
  3. fleeting memories é um rabisco coletivo compartilhado no flickr por Steve Loya.
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Descarrêgo https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/12/15/descarrego/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/12/15/descarrego/#respond Fri, 15 Dec 2017 12:32:42 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6781 Hora da faxina. Tempo para abrir espaço para ideias e coisas novas. Durante o processo, que a gente aprenda a curar e filtrar mais e melhor. Porque o volume de lixo dedura o tempo perdido. E quem tem tempo a perder? Quem pode se dar esse luxo?

“Se uma revolução destrói um governo, mas os padrões sistemáticos de pensamento que produziram aquele governo permanecem intactos, então aqueles padrões se repetirão…
Há muita conversa sobre o sistema. E pouquíssima compreensão.”
Robert Pirsig, Zen and the Art of Motorcycle Maintenance

 

OS PADRÕES SISTEMÁTICOS ESTÃO AÍ, INTACTOS. Novamente discutimos nomes. Nenhuma ideia, nenhuma proposta. Mais uma vez o time de (des)governo será apresentado depois de terminado o campeonato-eleição, no jogo fisiológico que condena, logo na largada, qualquer plano ou programa. E pensar que talvez fosse bem fácil ganhar uma eleição apresentando um time de primeira na primeira hora. No mínimo, colocaria o debate em outro nível.

Quantos debates de baixo nível roubam nosso tempo? Dá medo até de fazer as contas. Dá saudades do tempo em que bastava a gente apagar qualquer estopim relacionado com “futebol, política ou religião”. Hoje parece haver polarização em tudo. Até no formato da terra?!?

Nossas redes sociais, por ricas que sejam, não estão vacinadas contra três pragas: cupins, chupins e cupinchas. O cupim está sempre destruindo ou desconstruindo algo ou alguém. Abre mão das asas para fazer cocô. O chupim também não cria nada – copia, suga e reclama quando não é de graça. O cupincha não aprendeu que “likes” e comentários que só repetem a mensagem original valem tanto quanto uma nota de três reais. São dados, mas não informam. Informação é a diferença que faz diferença¹. Fidbeque é informação que muda o comportamento do sistema². O resto é diversão ou distração – invariavelmente, desperdício. Mas antes o cupincha estéril do que um cupim babando de ódio.

“É muito fácil ser um expert numa área sem experts: basta levantar a mão.”
Eric Lander (biólogo, matemático e economista)

O requisito fundamental para falar sobre sistemas e complexidade é a humildade. Porque são áreas relativamente novas. Ainda não temos uma base teórica consolidada. Mas vai contar isso para os experts!

Uma estante de livros não é um sistema. A segunda lei da termodinâmica é meio falsa³. A combinação dos termos “estático” e “sistêmico” não é piada de mau gosto. O mundo ou a sua empresa tem dois tipos de pessoas: X e Y, petralhas e coxinhas, nós e eles. O expert em “antifragilidade” (sic) apoia o Trump!?! Fake news? Chame a coisa pelo nome: MENTIRA! Tem hora que não é questão de expertise. O velho bom senso não ficou obsoleto.

Uma conversa difícil, com um monte de termos obscuros e aquele sorriso do tipo “eu sei algo que você não sabe e não vou te contar” não são sintomas de expertise. São sinais de fraqueza. São muros de Trump, tão sólidos e reais quanto.

“… é a melhor era para estar vivo, quando quase tudo o que você pensa que sabe está errado.”
Tom Stoppard (dramaturgo inglês na peça Arcadia, 1993)

Por isso erguemos muros trumpianos: quando o que está após a vírgula da frase acima nos fala mais alto do que aquilo que veio antes dela. É medo. É humano.

O desafio que se coloca é gostar da nossa era. Não das desigualdades,  desequilíbrios e injustiças que a caracterizam. Mas gostar da luta contra tudo isso. Cientes de que há muito o que aprender. E, pelo visto, muito mais a desaprender… Descarrega!

Notas

  1. Gregory Bateson.
  2. Stafford Beer, se pudesse, escolheria outra palavra para descrever a retroalimentação de um sistema. Para ele, fidbeque (ou feedback) lembra vômito. E é erroneamente interpretada como uma resposta. (The Heart of the Enterprise, p. 59. Wiley, 1979).
  3. Albert Einstein disse que a segunda lei da termodinâmica deve ser a única que nunca será destronada. Sir Arthur Eddington escreveu que “se sua teoria vai contra a segunda lei da termodinâmica eu não posso te dar nenhuma esperança – seu destino é a pura humilhação”.
    Mas, caramba, isso é ciência. E se um caro colega descobriu uma forma de fazer só metade de cocô, alterando sua entropia pessoal enquanto mantém uma dieta diária de 2k calorias, sorte dele. Ou azar, vai saber. Eu não quero saber. É muito cocô para um artigo só. 
  4. Heavy weights!, a foto acima, foi liberada por Abhishek Sundaram no flickr.
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ferramentas, FERRAMENTAS https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/09/18/ferramentas-ferramentas/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/09/18/ferramentas-ferramentas/#comments Mon, 18 Sep 2017 16:54:54 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6498 Nossa era da ansiedade é, em grande parte, o resultado de tentarmos fazer o trabalho de hoje com as ferramentas de ontem – com os conceitos de ontem.
Marshall McLuhan

Que tal começar com uma autoanálise? Pense em quantas ferramentas você conheceu nos últimos tempos. Quantas você experimentou? Quais foram incorporadas ao seu dia a dia? Considere tanto aquelas que só demandam papel e caneta quanto os brilhantes apps que inundam seu smartphone. Quais o tornaram um profissional melhor, mais produtivo e eficaz?

Há muita conversa sobre ferramentas e respectivos guias de seleção e uso, os métodos. Que parte desse papo se concretiza? Quantos trabalhos se tornaram mais eficazes, rápidos e até prazerosos por causa de novas ferramentas? Temo que poucos, muito poucos.

Participando de reuniões variadas em empresas idem, o que mais vejo é o puro improviso. Não há ordem nem um mínimo sistema dando sentido aos debates. De vez em quando alguém rabisca algumas ideias. Mas a solução do problema em questão, se acontece, é fruto de muito trabalho (e retrabalho) ou do acaso. Quem está ali conhece uma série de ferramentas. Talvez até desconfie que algumas seriam úteis naquele momento. Mas, por algum motivo, abre mão de aplicá-las. Qual motivo? Ou melhor, quais motivos?

Hábitos, Vícios e Preconceitos

Velhos hábitos e vícios são duros de matar. Desaprender é mais difícil do que aprender. Se pretendemos aplicar novos conceitos e ferramentas, antes de mais nada, precisamos abrir espaço para eles. Não é algo que ocorre do dia para a noite. Por nítidas que sejam as vantagens de uma nova técnica, o conforto do que é conhecido parece maior. E exerce uma atração irresistível. Na pressa, também comum, optamos pelo caminho que dominamos. Fazendo vista grossa para o fato dele ser o caminho mais longo e, não raro, mais acidentado.

Outro motivo é confessado em algumas fichas de avaliação de meus treinamentos: “isso não vai funcionar na minha empresa”; “isso não é compatível com a cultura de minha empresa”; “minha empresa não está pronta para isso”; e por aí vai. Não há nem a chance ou curiosidade de experimentar um novo jeito de pensar e trabalhar. Porque regras nunca escritas seriam intransponíveis. Quem, em sã consciência, impediria ganhos de produtividade? Como pode uma ferramenta não testada ser incompatível por natureza? Tente imaginar uma carpintaria incompatível com um martelo, por exemplo. Coisa estranha.

Assim como são estranhos alguns preconceitos. Adjetivos como “metódico” e “sistemático” são mais frequentes em tom pejorativo. Raramente aparecem como um elogio. O que é metódico e sistemático é invariavelmente chato e indesejado? De onde vem isso? Não é dos dicionários, que relacionam os termos com o perfil de alguém “que procede com método” ou “que segue ou observa um sistema”. Ou seja, são predicados de quem pensa o próprio trabalho. São características necessárias se pretendemos vencer as barreiras colocadas nos dois parágrafos anteriores.

Voltemos ao McLuhan, citado lá em cima. Até quando insistiremos em ferramentas e conceitos de ontem? O que falta para que você faça um upgrade em seus ativos – no seu cinto de utilidades?

Transição

A entrevista de Jeffrey Immelt, presidente do conselho de administração da GE, para a EXAME (edição 1145 de 13/09/17) pode surpreender. A GE de Jack Welch serviu como modelo para muita gente. A cultura de controle e ferramentas como o Seis Sigma já foram coisas invejadas. Aquela GE não existe mais. Nas palavras de Immelt:

“O Seis Sigma elimina a experimentação. O FastWorks (método ágil e enxuto desenvolvido pela GE) gira em torno da experimentação. O Seis Sigma visa eliminar falhas. No FastWorks, as falhas são endêmicas. Empresas burocráticas perdem rapidez.”

Immelt não está fazendo nada mais do que seguir um conselho do próprio Jack Welch: “Mude antes de ser obrigado a fazê-lo”. A transição não é pequena. Uma nova cultura está nascendo. E, com ela, novos conjuntos de ferramentas.

Para Pensar e Agir

Donald Reinertsen, em Managing the Design Factory (Free Press, 1997), classifica as ferramentas em dois grupos¹:

  • Ferramentas para Pensar: nos ajudam a delimitar, relacionar, estruturar e avaliar determinado problema ou situação. Pensamento Sistêmico, Teoria da Informação, Teoria das Filas, Pensamento Lean e Pensamento Visual são alguns exemplos
  • Ferramentas para Agir: apoiam a execução de determinado trabalho. Diagramas de Efeitos e de Processos, cerimônias, canvases e quadros mil entram nessa categoria. 

Trabalhos recentes – alguns livros de Design Thinking e o famoso Gamestorming (Alta Books, 2014), por exemplo – desfilam dezenas de ferramentas para agir sem o alicerce de uma teoria unificadora. Isso, por si só, não é um problema. Boas ferramentas provam o seu valor de forma pontual, sem dependências ou requisitos. No entanto, um bom profissional não vive desprovido de métodos e conceitos – sem Ferramentas para Pensar.

Temos aqui outra tendência difícil de explicar e justificar: o desprezo pelas teorias. Entender o contexto que levou à criação de uma ferramenta – conhecer o seu porquê – é condição para sua aplicação eficaz. Não é por acaso que vemos tantos debates estéreis sobre métodos e ferramentas por aí: falta educação. Para detonar o preconceito (contra teorias e teóricos), Kurt Lewin tem uma boa provocação: “Não há nada mais prático do que uma boa teoria”.

Assim como não há nada mais eficaz do que boas ferramentas se a nossa intenção é ganhar produtividade. Jurgen Appelo, autor de Management 3.0 (Addison-Wesley, 2011), faz uma aposta ainda maior: boas ferramentas podem nos ajudar a mudar ou implantar culturas. Essa é a proposta de seu novo projeto, Agility Scales².

Plano de Ação

Um plano para a reciclagem contínua de seu cinto de utilidades:

  1. Seja teimoso: experimente a ferramenta em três ou mais situações diferentes. Não desanime nem fale mal de uma coisa que você mal conhece. É possível e esperado que sua produtividade caia nas primeiras tentativas. Afinal, você está aprendendo. Lembre-se de como aprendeu a nadar ou andar de bicicleta. Tombos, água e sapos engolidos fazem parte do processo.
  2. Seja desobediente: afinal, a cultura de sua empresa não está escrita em pedra. Teste a ferramenta. Se você for bem sucedido, a empresa ganhou. Mostre os dados, fatos e ganhos. Se ainda assim você for proibido de usar a ferramenta, talvez seja hora de amarrar seu burrinho em outro lugar. Se você for mal sucedido, não desconsidere o que acabou de aprender. Pelo contrário, compartilhe!
  3. Seja aberto: e não perca tempo em debates bobinhos sobre ferramentas e métodos. Lembre-se sempre de que a quantidade de ferramentas dominadas é tão importante quanto a qualidade delas. É lógico que você terá as suas preferências. Por isso mesmo saberá quando um contexto não for favorável a elas. Você não quer queimar o filme de seus xodós, quer?
  4. Seja humilde: e não perca nunca a mentalidade de iniciante e a disposição para aprender. Immelt, na entrevista citada, diz que a resiliência (seu principal aprendizado) só se tornou possível quando ficou mais humilde. 
  5. Invista: As ferramentas formam parte considerável de seus ativos (tema do artigo anterior). Ativo largado é ativo depreciado. Faz quanto tempo que você não aprende e de fato aplica uma ferramenta nova? Se quiser alguma ajuda, consulte minha agenda acima, considere o investimento e volte ao passo #1.

Notas

  1. Craig Larman e Bas Vodde pegaram carona nessa categorização. E chegaram a estruturar livros assim: Scaling Lean & Agile Development – Thinking and Organizational Tools for Large-Scale Scrum e Practices for Scaling Lean & Agile Development (Addison-Wesley, 2009 e 2010, respectivamente).
  2. Cito este projeto com uma ponta de orgulho e outra de inveja. Há semelhanças com o flit, ideia que apresentei há pouco mais de um ano. A grande diferença talvez esteja na minha ênfase nos Trabalhos a Executar (JTBD – Jobs to be Done) e em Ferramentas para Pensar, particularmente no Pensamento Sistêmico. Não tenho dúvidas de que o Agility Scales vingará. Daí a inveja. E gás novo para insistir nesse papo.
  3. Tool board, de Dean Wiles, ilusta este artigo.
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O Plano da Carreira Viável https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/30/o-plano-da-carreira-viavel/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/30/o-plano-da-carreira-viavel/#respond Wed, 30 Aug 2017 20:59:33 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6486 Toda carreira viável tem um plano. Ele é coeso, coerente e aberto para surpresas. Porque nenhuma carreira é imune ao acaso. É sempre bom lembrar Pasteur: “a sorte favorece a mente bem preparada”. Um plano é parte de uma mente bem preparada. Ele nos ajuda a “sermos bons em ser sortudos¹”. O que compõe esse plano? Como e quando elaborá-lo? O primeiro componente do plano é o mais complicado de todos: suas aspirações. Tipo, “qual é a sua paixão?” Um clichê adocicado insiste que devemos seguir nossos sonhos e paixões. O problema é que 80% das pessoas não sabem qual é a sua paixão¹. Podem ter aspirações mil – geralmente relacionadas com sonhos de consumo, verbo ter. Mas a inspiração é zero quando o verbo é ser. Quem pensa que isso é coisa de adolescente não está prestando atenção ou vive em um círculo social privilegiado e estranho. Dado o horizonte nebuloso, é natural que estejamos cheios de dúvidas e alternativas. Qual é a solução?

Experimentar. Entender que a paixão pode ser descoberta. Ela será o resultado – o efeito e não a causa. Paixão é uma propriedade emergente do sistema você.

As escolas podem ser um empecilho. Porque elas pedem que uma quase criança decida o que ela quer fazer pelo resto da vida. As escolas deveriam, ao lado dos pais, mostrar todos os horizontes possíveis. E apresentar, sem censura, o futuro das profissões. Interações com empresas e profissionais podem ajudar. Desde que honestas e sem segundas intenções.

Quem já passou da fase escola tem uma amarra a menos. E mais liberdade para experimentar. A trilha é simples: experimente ? gostou? ? domine!

Uma tese sugere que o real domínio de uma área nos custa dez mil horas². É caro! Portanto, se você não tem 100% de certeza de que gostou, experimente outra coisa. E siga experimentando. Há o risco de um loop infinito. Conheço gente que foi da informática para a medicina e dali para a cura de almas e além. Pode ser divertido. A sua carreira não precisa ser assim, tão eclética. Independente disso, a cada experiência você coleciona itens para o segundo componente do plano.

Ativos

Uma carreira viável exibe uma rica carteira de ativos. O primeiro conjunto é formado por conhecimentos e habilidades. O profissional sabe o que sabe e tem boa noção do que precisa aprender e desaprender. Um antigo ditado diz que “o bom profissional é conhecido por suas ferramentas”. A quantidade de ferramentas dominadas é hoje tão importante quanto a qualidade delas. Se não por outro motivo, porque “só a variedade absorve variedade”. Não dá para pensar em uma carreira viável sem esse ciclo de reciclagem, de melhoria contínua. E isso não ocorre por acaso. Precisa ser parte do plano.

O capital social é o segundo conjunto de ativos. Ele pode não ajudá-lo a realizar um trabalho. Mas vai abrir ou fechar portas. Tratamos aqui da rede de contatos e reputação. O tamanho e a diversidade da rede contam. A opinião da rede sobre o profissional conta ainda mais.

Este é o ponto em que lembramos o artigo anterior e a conversa sobre uma carreira em T. A construção da linha vertical (domínio/especialização) pode requerer dez mil horas². Um bom plano, que almeje o T, também vai buscar a construção de ativos (conhecimentos, habilidades e contatos) fora da área de especialização. Existem dois bons pontos de partida: áreas correlatas ou disciplinas transversais (indisciplinas). Uma área vizinha permite experiências sem compromisso. Você avança um pouco além de sua especialização, aprendendo similaridades e diferenças. Há apenas um requisito fundamental: curiosidade. Vantagem: ao traçar a linha horizontal do T, deixa a vertical mais bold.

As indisciplinas representam uma estratégia diferente. São ativos de uso geral, aplicáveis na (dis)solução de problemas dos mais diversos tipos. Infelizmente, elas são sumariamente ignoradas em nossas escolas. Porque não cabem nas caixinhas pré-fixadas. Daí o termo indisciplina. Pensamento Sistêmico, Pensamento Complexo, Pensamento Crítico e Criatividade são bons exemplos. Vantagem: representam ativos mais duradouros e de amplo espectro (grande escopo de aplicação). Ou seja, o bold agora fica na linha horizontal.

As duas estratégias não são mutuamente exclusivas. No entanto, sua execução em paralelo exige bastante investimento. Como colocado anteriormente, a definição das aspirações pode ser complicada. Por outro lado, a construção da carteira de ativos é trabalhosa. Requer tempo, disciplina e dedicação. Carreiras não caem do céu. O desenvolvimento de uma carreira não é nem pode ser uma questão de sorte – de estar no lugar certo na hora exata. Isso não vai adiantar nada se você não for a pessoa certa, com aspirações e ativos que casam com aquela procura.

A Procura

Como colocou Reid Hoffman³, cofundador do LinkedIn, “o fato de você ser bom em algo (ativos) e realmente apaixonado por aquilo (aspirações) não significa necessariamente que alguém vai lhe pagar por isso”. Talvez você queira ser um empreendedor e inventar uma necessidade. Tudo bem. Mas o papo aqui é carreira. E o plano para uma carreira viável precisa considerar o que o mercado compra hoje e comprará amanhã.

Quanto maior a sobreposição desses três círculos, maior a viabilidade de uma carreira. Não se iluda: não é possível e nem desejável 100% de cobertura. Uma carreira, quando muito, ocupa ? de sua vida. O que você fará com o restante?

Relativamente comuns e tremendamente tristes são aqueles desenhos onde Aspirações e Ativos não se tocam. A pessoa queria uma coisa e estudou outra. Quase sempre há tempo para correções de rota. Bastam a ficha caída e um pouco de coragem.

Aspirações distintas e um conjunto de ativos bem variado (culinários, artísticos, esportivos etc) são sinais de uma vida bem vivida. Uma carreira verdadeiramente viável pode depender disso.

Epílogo

Não custa lembrar: profissões são monopólios autorizados pela sociedade. Um meio que inventamos para disseminar conhecimentos especializados e resolver problemas. Quando a sociedade encontra uma forma mais acessível e econômica de resolver aquele problema, bye bye profissa.

Uma carreira viável não se atrela de forma definitiva à uma profissão. Em tempos de tanta incerteza, seria um abraço de afogados. Sua carreira deve ser sempre maior que uma profissão. Porque suas aspirações não caberão naquela caixinha. Tampouco os seus ativos. Pensando assim, qual o tamanho do seu mercado?

Notas

  1. O design da sua vida: Como criar uma vida boa e feliz
    Bill Burnett e Dave Evans (Rocco, 2017).
    Citações (positivas) de livros da prateleira de auto-ajuda são raríssimas aqui no finito. Este aqui é diferente. Usa conceitos do Design Thinking e não recorre a clichês adocicados. Vale a pena.
  2. Fora de Série (Outliers)
    Malcolm Gladwell (Sextante, 2008).
    Toda generalização é perigosa. Essa regra das 10 mil horas é perigosíssima. Mas pegou, fazer o quê?
  3. Citado em The Mosaic Principle: The Six Dimensions of a Remarkable Life and Career, de Nick Lovegrove (PublicAffairs, 2016).
    Hoffman chama esse modelo de Mentalidade de Empreendedor ou Modelo do Vale do Silício. Vale para empresas tanto quanto vale para carreiras.
  4. venn, de temptationize, é o título da imagem no topo.
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Uma Carreira Viável https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/#comments Fri, 11 Aug 2017 12:36:41 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6463 Dentre as várias coisas tristes que nos rodeiam, uma é frequente e bastante incômoda. São aqueles pedidos de socorro que surgem nas redes sociais, particularmente no LinkedIn. Saltam aos olhos por atrapalhar o tráfego de conquistas e anúncios, pelo número de compartilhamentos e, principalmente, pelo desespero confessado sem rodeios. Em sua maioria, são mensagens de mães e pais de família. Gente que há meses garimpa oportunidades. Elas causam um choque diferente daquele que sentimos nas ruas. Paradoxalmente, ele parece mais próximo. Porque, de certa maneira, nossos contatos nos espelham.No curto prazo, não há muito o que fazer. Compartilhar o apelo; indicar para amigos; ajudar a revisar o currículo; oferecer vagas em treinamentos. Além, claro, da palavra amiga, um incentivo e algum conforto. A situação pede urgência e não há tempo e muito menos ânimo para conversas chatas do tipo “sua carreira é viável”? Remediado o caso, ainda que com um frila-band-aid, podemos puxar o assunto. E é inevitável o começo pelas más notícias.

A médio e longo prazos, várias profissões deixarão de existir ou serão totalmente redesenhadas. Em que pé anda a sua? Fazendo a análise proposta neste artigo, quantas tarefas sobrevivem aos movimentos de padronização, automação e externalização?

Além disso, considere o seguinte: as empresas estão aprendendo a se virar sem aquele pessoal que foi demitido. Nossa economia vai se recuperar uma hora¹. Quando acontecer, é pouco provável que todas aquelas vagas sejam reabertas. Apenas um salto absurdo e quase instantâneo do PIB justificaria contratações em massa. Isso não vai acontecer, seja qual for o salvador da pátria escolhido no ano que vem. A recuperação será lenta. E é preciso aceitar que alguns postos de trabalho se foram para sempre. Quem está escrevendo isso é tido como um otimista incurável. Que a sequência do artigo comprove isso.

Redesenhando a Carreira

Nossa evolução, até aqui, significou um emaranhado de silos e caixinhas. Se você quer se especializar em alguma coisa, tem à sua disposição um cardápio com mais de oitenta mil disciplinas. As organizações – sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor – oferecem milhares de funções diferentes. A princípio, não há nada de mal nem de errado nisso. Se você precisar de uma cirurgia no cérebro, é lógico que não vai se contentar com um clínico geral. Especialistas, em qualquer área, continuarão necessários.

Mas a especialização não basta. Ela não é suficiente para garantir uma carreira viável. Você já viu esse papo antes, sobre a tal carreira em T. O traço vertical indica uma especialização. Na horizontal, seus “conhecimentos gerais ou genéricos”. É fácil chegar até essa sugestão. Mas precisamos ir além da página três. Afinal, o que significa a horizontal? Que você é culto, eclético e está em dia com as notícias? A visão holística² de um negócio? Que garantia isso dá para um profissional? Onde se aprende isso? Basta ser curioso, atento e antenado?

O Complexo do Eco³

“Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.”

Umberto Eco nos deixou essa provocação em seu último livro publicado em vida, Número Zero (Record, 2015). Conclusão curiosa de um bem sucedido sabedor de muitas coisas. Nos serve como alerta: amplitude de conhecimentos e experiências não se constrói com uma metralhadora giratória. Não é uma questão de agregar hobbies e interesses diversos ao currículo. Não basta prestar serviços comunitários ou conseguir uma cadeira em um conselho de administração. Mas eu não estou sugerindo que você seja um porco-espinho³.

Quanto tempo você tem de estrada?

Se já rodou bastante, saiba, você pode ter algumas vantagens. Aliás, várias. Qual é o seu portfólio de habilidades? Quais e quantas você conseguiria transferir para outro contexto – para uma área que não seja a sua? Quantas vezes você experimentou isso? Entenda: é explorando que você desenha e amplia o traço horizontal do T. Tem uma vida dedicada à iniciativa privada? Quais conhecimentos e habilidades seriam úteis na administração pública ou em uma ONG? Passou uma vida inteira no varejo? O que você pode agregar para a indústria ou para uma empresa de serviços? Está enferrujado na contabilidade? Que tal uma transferência para TI? O que você pode levar para lá?

Você não é o sênior que de repente virou estagiário porque mudou de área ou função. Se os seus conhecimentos, habilidades e ferramentas não fizerem nenhum sentido naquele novo contexto, então você não está desenhando um T. Está colocando uma trema no Ï. Pode ser divertido. Se é isso o que você procura, tudo bem. Mas não se esqueça que a ligação de pontos muito esparsos pode não ser trivial nem factível.

Então é isso, uma questão de levar uma mochila repleta de habilidades para outras áreas? Claro que não. Esse é o ponto de partida, não o de chegada. Quem faz esse movimento deve estar preparado para aprender muito. E rápido. Fazer com que essa aprendizagem signifique a ampliação dos dois traços do T é o desafio.

E a turma nova? O que significa uma carreira em T para quem está começando agora? A possibilidade de expandir as duas linhas de forma quase simultânea. Entretanto, há duas grandes barreiras no caminho: a escola e a empresa. A escola força uma escolha muito cedo e te joga num silo quase sempre hermético. As empresas contratam e continuarão contratando especialistas. Ou seja, se você deseja ter formação e carreira mais amplas – um T ao invés do I –  não conte com muito apoio. A iniciativa deve ser sua. E o plano também.

Conversaremos sobre isso no próximo artigo. Inté!

Notas

  1. Infelizmente, pelo andar da carruagem, não é sensato apostar em ganhos significativos até 2020. Quem comemora a criação de trinta ou quarenta mil vagas em um mês parece se esquecer do universo com 14 milhões de desempregados. Alguém aí comemorou o nosso gol no fatídico 7×1?
  2. O termo “holístico” dá margem (!) para muitas interpretações. Ao falar de uma visão “do todo”, o universo é o limite para muita gente. Saber delimitar ou identificar fronteiras é uma característica chave do Pensamento Sistêmico. E um antídoto contra papos viajandões.
  3. Interpretação minha, ok? Eco não batizou nem qualificou aquela conclusão. Utilizo “complexo” no sentido psicológico – “sou complexado”. Este artigo de Victor Lisboa, no Papo de Homem, sobre o porco-espinho e a raposa, estica bem o assunto.
  4. T, de crodriguesc, ilustra este artigo.
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Pelo Prazer de Trabalhar https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/12/13/pelo-prazer-de-trabalhar/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/12/13/pelo-prazer-de-trabalhar/#comments Tue, 13 Dec 2016 15:41:28 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6079 Quando foi a última vez que você fez ou aprendeu algo e nem viu o tempo passar? Esses momentos de total concentração e êxtase lhe são comuns? Você consegue repeti-los de forma sistemática no trabalho? A grande maioria responde não para as duas últimas questões. Triste, considera estranha ou até indevida essa mistura de prazer e gozo com aprendizagem e vida profissional. “Onde já se viu?”Vemos essa combinação com grande frequência. Mas ela aparece em campos que muitos nem consideram profissões. Lembre-se da explosão de um jogador de futebol; da concentração de um ator; do voo de um guitarrista durante um solo. Oras, o que nos impede de trocar esses personagens por um engenheiro, um médico e um advogado? Parafraseando Ackoff, malditos sejam aqueles que ergueram muros entre aprendizagem, diversão e trabalho¹. Não era para ser assim. E, se quisermos uma carreira viável, não pode mais ser assim.

Gary Hamel, em O Que Importa Agora? (Campus, 2012), sugere uma hierarquia das capacidades humanas. De baixo para cima: Obediência, Zelo, Expertise, Iniciativa, Criatividade e Paixão. Se tudo o que você tem a oferecer concentra-se nos três primeiros itens, preocupe-se. Atividades que pedem “só” por isso já foram padronizadas, terceirizadas e automatizadas. Agora, são externalizadas². Sem exagero: não há futuro aqui. Cruze isso com a proposta de reforma da previdência e descabele-se.

Não há atalhos para esse novo mundo do trabalho. Mas existe um caminho. Aliás, um FLUXO.Aqueles com pequena bagagem em termos de conhecimentos e habilidades estão: 1) apáticos – se pouco desafiados; 2) preocupados; ou 3) ansiosos – se o tamanho dos desafios é inversamente proporcional às suas capacidades.

Kevin Kelly, em The Inevitable (Viking, 2016), diz que nesse novo mundo somos todos iniciantes. Mas a população nesses três cenários já é imensa. E insatisfeita pra chuchu, como provam várias pesquisas. Quem está bem municiado mas é pouco desafiado vive no tédio ou, pior ainda, trata seus afazeres com arrogância e desdém. Perigosa “zona de conforto”, familiar aos que se sentem no controle. Pense naquele sujeito que diz ter dez ou vinte anos de experiência.  Meça até que ponto não seriam dez ou vinte anos da mesma experiência. Essa sensação de controle é ilusória. Uma troca de tecnologia e pimba – olha um estagiário novo aí gente!

O controle, assim como a excitação, pode ser salutar. Desde que a pessoa saiba para onde precisa e quer ir. Essa enxurrada de coaches, mentores e livros que prometem ajudar na definição do sentido da vida nos permite desconfiar que o número de profissionais sem mapa nem bússola é grande e só faz crescer. Sem julgamento de valor, por favor. Como colocou Tom Peters, “quem não está confuso não está prestando atenção”.

No mundo ideal somos todos FLUENTES. Nossos conhecimentos e habilidades mantém um equilíbrio dinâmico com os desafios apresentados. Insisto: dinâmico. Não há linha de chegada. Mas há conforto e prazer nessa zona. Ou, como lista o autor desta teoria – Mihaly Csikszentmihalyi³, quando no fluxo nós temos:

  • Concentração total;
  • Sensação de êxtase;
  • Muita clareza de propósito;
  • Confiança em nossa capacidade;
  • Serenidade; e
  • Motivação intrínseca: o que criamos é a nossa principal recompensa.

Por isso, nem vemos o tempo passar. É sensação equivalente aos prazeres mundanos e carnais. Porque, quando em fluxo, ativamos os mesmos mecanismos cerebrais. Porque, como coloca Daniel J. Levitin em A Mente Organizada (Objetiva, 2014), recebemos “agradáveis doses de dopamina”. Mais que isso: também desativamos a parte do córtex pré-frontal responsável pela autocrítica e a amígdala, a parte do cérebro que nos deixa com medo. Enfim, sem a intenção de cometer qualquer heresia: o Fluxo é quase um nirvana, quase um orgasmo.

Podemos levar isso para o trabalho? Podemos fazer disso uma rotina? Honestamente, eu acho que deveríamos. Se não pelas razões acima, então pelo simples fato de que quase todos os outros trabalhos serão delegados para quem não cria, não procria e nem se apaixona.

Merchandising

Já tem um tempinho que tento transferir o FLUXO para meus treinamentos. No próximo artigo vou mostrar como ele se transformou na espinha dorsal da OPA! Oficina de Projetos de Aprendizagem. E mais: como ele combina muito bem com o Scrum.

Notas

  1. Ackoff’s Best – Russell L. Ackoff (Wiley, 1999).
  2. Falo um pouco mais sobre isso em O Futuro das Profissões.
  3. Taí um nome – Mihaly Csikszentmihalyi – que nunca arriscaria dizer em sala ou em qualquer outro lugar. Mihaly é húngaro e apresentou sua teoria em Flow: The Psychology of Optimal Experience (Harper & Row, 1990). Há um belo resumo na forma de uma palestra para o TED (Fluidez – o segredo da felicidade).
  4. Entre a ideia para este artigo e a revisão final gastei pouco menos de duas horas. Não vi o tempo passar. E quase dei um soco no ar ao reler o penúltimo parágrafo. Antes de taxar isso como uma besteira, pense no que te deixa feliz. Tem criação ali, não tem?
  5. Flow – 02, a primeira imagem lá em cima, foi rabiscada por Eva-Lotta Lamm enquanto ouvia ou lia Mihaly. Ela compilou livros com resumos e rabiscos semelhantes. Criativa sacada!
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