Alguns costumes e manias não resistem a um bom teste unitário. Sei lá porque um dia decidi que publicaria aqui apenas artigos mais trabalhados que, invariavelmente, também são longos (quase sempre com mais de 1000 palavras). Artigos assim costumam demandar algo entre uma e quatro semanas de elaboração. Não de redação e edição, claro, mas de pesquisa e compilação. O problema com este enfoque é que deixo de falar sobre um monte de assuntos que, desconfio, também interessariam aos leitores fiéis ou ocasionais. Portanto, aguardem mais e menores blues, digo posts. O que não significará o fim daqueles verborrágicos, para tristeza dos apressados.
Outro velho projeto que deve finalmente vingar é a criação de outras seções aqui no finito. Duas aparecem no topo do blog backlog: 1) Bibliografia Comentada, com dicas de leitura e trilhas de estudo; e 2) Bate-papo com profissonais da área e usuários. Penso na transcrição totalmente sem edição de prosas facilitadas por IM’s e afins. O primeiro convidado parece não ter gostado muito da ideia mas insistirei. As duas novas seções pretendem trazer vozes e pontos de vista distintos deste que aqui rabisca.
Não foi o que planejei 4 anos atrás, quando iniciei a carreira solo. Mas os Cursos e Palestras se transformaram em minha vaca leiteira – no Lucro e não no Troco¹. Ao invés de nadar contra a maré, é preferível que eu reforce minhas ofertas. Principalmente para tentar me distanciar do oceano vermelho de sangue que caracteriza esse mercado. Gosto do modelo utilizado no FAN – eventos curtos e práticos. Mas a estabilidade dos times que estão ganhando é uma perigosa ilusão. Está aqui o desafio que mais tem ocupado meu tempo nas últimas semanas.
Devo lançar simultaneamente, ainda neste primeiro trimestre, dois novos eventos. Serão dirigidos para públicos diferentes mas vão compartilhar o mesmo formato e nome: “O Jogo dos 7 Erros“. Um será voltado para líderes de projetos e outro para meu público-xodó, os analistas de negócios. O formato é de um jogo realmente. Cada erro merecerá uma hora. Os exercícios tomarão metade do tempo. O restante será utilizado na apresentação do erro, casos e para o debate com a turma. Como o formato é muito novo os eventos serão lançados como ‘beta’ e terão preços especiais. Aliás, tudo será novo e o teste é mais que necessário. Inclusive ou principalmente do material didático. As primeiras turmas devem acontecer em São Paulo.
As novas ofertas não significam que o FAN irá para escanteio, pelo contrário. Novas turmas serão abertas, a partir de abril, em São Paulo e Brasília.
É curioso como meus “patinhos feios” atraem atenção quando apresentados de maneira menos formal. Particularmente o conjunto de serviços que identifico como Administração de Ativos. Ou seja: erro feio na mensagem que transmito aqui e no material de marketing que desenvolvi. Duas providências: 1) Alterar a apresentação “formal” dos serviços; e 2) Lançar, no segundo semestre, eventos que mostrem de maneira mais clara a importância de alguns temas, particularmente a Administração de Ativos e a Engenharia de Processos. Pacotes de treinamento + consultoria devem ser a melhor resposta. Mas eu tratei de deixar bem baixas minhas expectativas para 2010.
Transparência é jóia e dá retorno. Mas também pode te deixar assim, sem ter onde esconder a cara quando alguma coisa não vai bem. Hoje eu entendo porque Nicholas Negroponte e Louis Gerstner resolveram nunca mais escrever depois de lançarem seus primeiros livros. “É o Negócio, Beócio!” é de longe o pior projeto que já assumi em minha vida. E eu tratei de torná-lo cada vez pior, prometendo prazos mesmo quando não era cobrado por isso. Acabei por transformá-lo em um verdadeiro pesadelo quando deixei os alvos ficarem móveis. Justo eu, que insisto com os 4 ventos que um projeto não pode dar certo se não tem objetivos bem claros.
Pois bem, o livro já foi escrito 4 vezes. Acho que já contei isso aqui. Duas versões não mereceram a luz do sol e foram direto para o lixo (shift+del mesmo). Alguns capítulos da última versão foram publicados. Mas, apesar do feedback relativamente favorável, alterei a estrutura e me perdi novamente. Tudo fica um tanto surreal quando me lembro que em apenas 4 meses, no longínquo 2007, eu escrevi uma versão quase completa. Hoje tenho a sensação de estar muito próximo da estaca zero.
E olha que até capa(s) ele já tem²!
Inicialmente o livro seria um “Guia para a Formação de Analistas de Negócios”. Quando comecei a aceitar que este deve ser também o meu último livro resolvi que ele podia ser um pouco mais abrangente. Ambiguidade é risco. E aquele “pouco” da penúltima frase virou um imenso problema. O lado bom do desabafo aqui é que, além de tirar um grande peso de meus ombros, dá ânimo para pegar no trampo de novo.
Que nada! Prólogo para um 2010 que promete. Mas antes de começar eu preciso agradecer a todos que fizeram de 2009 um ano bem legal e produtivo: Leitores do finito, participantes do FAN e do grupo AN.br, clientes, parceiros e amigos. Espero que tenhamos boas desculpas para novos encontros.
Mas a frase do Willie não deve servir de desculpa para que a capa e toda a programação visual de um livro sejam relegados ao 2º plano. Estética, beleza – são preocupações que devemos ter em tudo o que fazemos. Não sou bom nisso, mas sei apreciar um trabalho bonito. E criticar a feiúra alheia…
Há tempos contatei uma empresa de design “maluca”, que participa do SP Fashion Week, decorou alguns dos principais restaurantes de Sampa e tem um espírito criativo sadiamente distante do nosso insípido e gelado mundinho de TI. Meu único requisito: não quero que meu livro se pareça com um livro de TI, particularmente os tupiniquins. Tem bobo aí que vai dizer que isso é papo de boiola e coisa e tal. Breve e única resposta para eles: a forma deve refletir e valorizar o conteúdo. Não é só uma questão de linhas e cores, mas de conceito, de integridade. Mas eu não quero falar só de programação visual, e sim de tudo que gira em torno do formato de um livro.
O livro impresso é uma das invenções mais longevas da humanidade – de Gutenberg pra cá já se foram 572 anos! A tecnologia de impressão mudou bastante, mas o produto final quase nada. E nenhuma edição digital conseguiu nos dar a manuseabilidade de um livro ‘normal’. Uma leitura de verdade se faz com um livro em mãos, passando suas páginas de uma forma que para outros olhos parece ser uma coisa aleatória e desprovida de lógica. Um livro ‘de verdade’ pode ser marcado, rabiscado, anotado. Um livro de fato lido fica gasto, meio manchado. E não raro tem memória: costuma abrir exatamente naquelas páginas mais necessárias em determinados momentos. Ok, meu papo soou um tanto romântico. Mas quem lê de verdade sabe do que estou falando. E apronta com seus livros algo parecido com o que faço com os meus. Meus livros não recebem o mesmo cuidado que os discos e DVDs. Mas sua valorização, por visitas e amigos, é realmente inversa. Os mais surrados são aqueles de maior valor. Meus amigos sabem. E os livros não me deixam mentir.
Durante o projeto do livro fui confrontado com duas questões que, a princípio, estavam totalmente fora do meu escopo. A primeira referia-se ao modelo do negócio, a forma como eu esperava comercializar e distribuir o livro. Dela brotou o projeto Rendiconti, cujo lançamento obedece ao mesmo cronograma do livro: lançamento em 25 de março do ano que vem.Sobre isso eu já falei em duas ocasiões:
Nos últimos meses, já prestes a entrar na última curva do projeto, outra questão passou a me incomodar: o formato do livro. Desde o início trato este projeto como se fosse um projeto de software. Aí, quando vislumbrei o produto final, algumas dúvidas surgiram como baldes d’água morna: como se atualiza um livro texto? Caso sejam necessárias as publicações de patches e service packs, como elas seriam? Daqui derivei outras dúvidas, e delas requisitos.
Todos os livros que tenho morrem em si: apesar da possiblidade de erratas e extensões mais modernas, como web sites, aquele produto é fechado. O leitor pode rabiscar e corrigir. Mas o autor não consegue fazer mais nada com sua própria obra. Normalmente os autores lançam novas edições. Scott Berkun, por exemplo, chegou a trocar até o título na última edição de “The Art of Project Management”. Agora sua obra-prima se chama “Making Things Happen“. Que baita service pack, não? Acontece que os dois volumes que tenho aqui comigo não podem ser atualizados…
Mergulhei nessas questões e fui aumentando o ‘espaço do problema’. Meu livro é de fato um guia, um guia de referência. Quero que ele esteja sempre à disposição do Analista de Negócios, para consultas pontuais. Daí imaginei que o AN queira fazer suas intervenções no próprio livro. Ao invés dos famigerados (e temporários) post-its, por que não um espaço para notas e observações? Melhor: e se o AN puder inserir páginas inteiras em seu livro texto (da mesma forma como ele pode customizar um bom software)? Se este requisito for atendido, ele facilita demais a realização de outro: a possiblidade de atualizar trechos do livro. Saca só o caso de uso: o chato autor aqui resolver atualizar o capítulo sobre Desenvolvimento de Requisitos. Ele publica a atualização (na loja Rendiconti. lógico) e a deixa disponível para todos que já adquiriram o livro. O cliente pode baixar a versão digital (gratuitamente) ou adquirir a versão impressa (daquele único capítulo). O próprio cliente encaderna o novo capítulo, substituindo a versão que ficou defasada. Jóia, não? Puxa, como eu gostaria de ter tal alternativa em meus livros. Mas… como realizar tal requisito?
É claro que a encadernação tinha que ser totamente diferente. Nova? Quem conhece a IOB sabe que isso tá resolvido há muito, muito tempo. Não consegui descobrir, mas acho que as “pastas Z” têm quase 100 anos. Mas, por favor, não pensem naquelas pastas antiquadas e feiosas que você vê no escritório do seu contador. Dê uma olhada na pastinha ao lado. Que tal?
E se ela for também a capa das apostilas? Assim, todos os participantes dos cursos e oficinas, caso se interessem, compram só o miolo do livro. E aquele espaço ali para um DVD… e se tiver uma edição com uma versão integral de uma palestra ou curso? E se… Ok, as possibilidades são várias.
Mas, é claro, tanta conveniência tem um preço. E eu não posso simplesmente ignorar aquele público que quer a opção de um livro “normal”. O jóia é que na loja virtual Rendiconti ele poderá escolher a encadernação que mais lhe agrade.
Entendem agora como um projeto atrasa tanto? Olha como o escopo mudou. Será que eu conseguiria pensar nisso tudo lá no início, quando estava só preocupado em escrever o livro? Não sei. Mas não me arrependo de nenhuma decisão. O atraso de (quase) um ano será compensado com um produto muito, muito melhor. Ops… bom, quem vai dizer isso são os leitores. Ops.. leitores não, Usuários do Livro.
]]>be.ó.cio adj.s.m. 1. que(m) é natural ou habitante da Beócia, região da antiga Grécia. 2. p.ext. infrm.pej. (indivíduo) grosseiro, ignorante ou ingênuo.
Não sei se dei sorte ou realmente não fui mal interpretado, mas nunca ninguém se sentiu ofendido com o título. Realmente os participantes de meus eventos nunca foram alvo da exclamação. Pelo contrário, minha intenção era dar-lhes de presente um clichê: É o negócio, beócio! Uma frase-projétil útil toda vez que alguém se esquece quem paga a dolorosa de nossos projetos. Resolvi hoje contar as origens e explicar o codinome do meu livro.
Bill Clinton, em um dos últimos debates contra Bush pai, bofeteou-o: É a Economia, Estúpido! Saiu vitorioso e construiu um superávit inédito na história daquele país. Bush filho assumiria a mesma cadeira tempos depois e deixaria como legado o maior déficit que aquela nação já viu. Mas essa é outra história…
Desde que criei coragem para escrever meu primeiro livro já tinha claro quem seria o maior homenageado: meu pai, Paulo Fernando Nogueira, que nos deixou há 12 anos, quando tinha só 49 anos de idade. Contador, foi o cara que me colocou na carreira de TI e a influenciou em diversos momentos chave. Qualquer dia falo mais sobre ele. Hoje nos interessa o beócio. O “velho” era meio erudito. Herdei dele a paixão pela leitura – de jornais (de papel), livros policiais e nossos quase sempre chatos tratados técnicos. Mas ele não gastava sua erudição em papos sérios. Não, usava-a apenas como pequenas alegorias em seus papos divertidos e xingamentos. Insulto favorito: beócio! Era dirigido, principalmente, contra jogadores perna-de-pau, juízes pouco honestos e motoristas barbeiros.
Quando defini o tema do livro, um Guia para a Formação de Analistas de Negócios, surgiu quase que imediatamente a frase-arma: “É o Negócio, Beócio!”. Tente pronunciá-la em voz alta;jogue-a na cara dos caras que começam projetos de software pelos ferros, caixinhas e código, hehe. É de fato um belo presente que ganhei e repasso. Sem custos!
Mas, obviamente, “É o negócio, beócio” não ficaria muito bem como título de um livro para analistas de negócios. Aliás, seria de certa forma um desperdício. Penso em utilizá-la como título de uma série! Sim, uma série de livros que terá um tema em comum: a eliminação da distância entre TI e o negócio. Ou, para usar uma casa do ‘embromation bingo’ , uma série sobre “Alinhamento Estratégico”. Qual será, então, o nome do livro? Por mim ficaria “Guia para a Formação de Analistas de Negócios”. Mas uma consulta ao nosso grupo de discussão deve ser feita antes do fechamento da questão.
Ok, Mas Cadê o Livro?
Quero crer que minha arrogância nunca foi tão longe: logo no início do trampo de escrever o primeiro livro fui lá e cravei um prazo: 27/mar/2008. O divulguei aqui e em todos os eventos que apresentei até o final do ano passado. Influência dos processos ágeis, onde prazos e custos são “imexíveis”? hehe.. Não importa, o fato é que foi realmente um grande erro. Trata-se de um tipo de projeto que enfrento pela primeira vez. Pior: falando de um tema que ainda está em fase de ebulição / definição. Que não sirva como desculpa, mas o próprio BABoK V2 já apresenta aproximadamente 1 ano de atraso. E olha que o trabalho deles é feito a n mãos! Mas, como eu disse, não é desculpa.
Agora sim eu consigo trabalhar com um prazo definitivo: 25 de março de 2009. É uma quarta-feira e um pequeno evento acontecerá em Sampa. Para quem gosta de curiosidades: é dia de São Dimas, o “Bom Ladrão”. Achei coerente com um texto que ‘rouba’ boas idéias de diversos autores (também ladrões). E fica a 2 dias de completar exatamente 1 ano de atraso! Mas eu quero compartilhar um pouco da experiência de se escrever um livro, agora e em futuros artigos.
Desde o início decidi que utilizaria um processo iterativo e incremental. Tinha a intenção de tratar o projeto do livro como se deve tratar um projeto de software. Como eu não tinha um cliente pré-definido, com o tempo criei uma comunidade de clientes para o meu ‘software’. Todos os participantes dos eventos foram convidados a participar de um grupo de discussão. Hoje somos 357 pessoas de praticamente todo o Brasil. Tem até um ilustre participante em GMT -11. Quase todos os debates ali servem como feedback direto ou indireto ao meu trampo. Tanto que até acho a troca um tanto injusta… mas o grupo não reclama. No entanto, o retorno não vem da forma como eu esperava. Não vem tão mastigado, tão diretamente relacionado ao livro, que o grupo já conhece em uma versão bastante preliminar. Mas, é claro, não posso reclamar.
Reclamo só de mim: já escrevi o livro 3 vezes! Escrevi mesmo, do zero. Uma das versões, a 0.7, saiu do computador direto para o lixo.Não á fácil achar um ponto de equilíbrio. Explico: o texto é técnico. Mas não precisa ser chato. Minha principal referência neste ponto é “A Arte do Gerenciamento de Projetos“, de Scott Berkun. É um texto moderno, sério mas leve. Digo sem medo de errar que é o livro de TI que mais gostei de ler. E, claro, gostaria que o meu tivesse o mesmo tom e utilidade. É quase uma arte, e equilíbrio é a palavra-chave. Por exemplo: a tentação de mergulhar um pouco mais em uma parte ou técnica que mais me agrada é muito grande. Mas assim eu deixaria o texto ‘cambeta’. Quem já viu meus eventos sabe que defendo (teimosamente! hehe) alguns pontos de vista (leia-se conceitos, processos, práticas e ferramentas). Mantenho o tom (teimoso!) no livro. Mas não me esqueço que equilíbrio é a palavra-chave. Aliás, esqueço e lembro, esqueço e lembro, de uma forma iterativa e incremental. É o próprio Berkun quem diz: “Planeje voltar – escrever é editar.”
Pois bem, início agora a última etapa do processo. Liberarei os capítulos individualmente para o grupo, até meados de fevereiro. É a versão 0.9, que também está sendo chamada de “release candidate”. Haverá um prazo para críticas e sugestões. As revisões ortográfica e gramatical, a cargo do mano jornalista Luiz Gustavo, acontecerão em paralelo. A única coisa que não será revelada nesta versão é a programação visual . Uma surpresa que só será revelada na versão 1.0, no próximo dia de São Dimas, 25/mar/09.
Notas:
A primeira já recebeu, há cerca de 2 meses, a maior parte do investimento necessário. Uma grande impressora laser já está em operação; o processo de produção já foi delineado; a pequena grande equipe já foi treinada. Esta parte foi antecipada exatamente para que a adequação à nova tecnologia aconteça bem antes da demanda que será gerada pelo site. Com um calculado efeito colateral bastante positivo: a gráfica (que, como eu já disse, pertence aos manos Cacá e Guz) ganhou outra fonte de receitas. Agora ela presta um tipo de serviço (popularmente conhecido como “gráfica rápida”) que é inviável quando se tem apenas impressoras ‘off-set’.
Merece destaque o maior (e, de certa forma desejado) risco: se a demanda proveniente do site for muito grande teremos problema de escala – e o prometido prazo médio de 3 dias úteis para a entrega das obras pode ser comprometido. Como a aquisição de mais impressoras está, por enquanto, fora de cogitação, foram traçadas duas alternativas:
Só quando esta parte mais crítica e de certa forma mais cara foi resolvida é que teve início a 2ª parte do projeto: o site.
Há uns 4 anos sou um satisfeito freguês da Locaweb. Não tinha nenhum motivo para buscar outro hospedeiro. Meu servidor contratado, claro, é Linux. E isso gerou o primeiro requisito não-funcional do projeto: a arquitetura tecnológica do site se baseará em PHP e MySQL. Esta opção já cria um necessário filtro de eventuais fornecedores. Vale dizer também que o PHP me deixou muito bem impressionado desde o dia em que converti o finito para o WordPress. PHP 5, Ajax, MySQL, talvez algumas ‘frescurinhas’ em Flash – estes são os principais componentes da arquitetura tecnológica do site.
Também não tive nenhuma dificuldade para definir o arquiteto-desenvolvedor: Hailton Ferraz, de Lençóis Paulista e estudante da UNESP de Bauru. Ágil, enviou uma proposta objetiva e bastante clara. Profissional e rápido como poucas grandes e médias empresas sabem ser. Mas eu tinha outras motivações para ‘cravar’ este projeto no meio do interior e no meio acadêmico:
Ô FUQ! (Frequently Unasked Questions):
Trato aqui de um novo negócio. Antes, porém, uma necessária explicação sobre o nome. Rendiconti é um termo italiano que significa “Prestação de Contas”. O utilizo com frequência neste espaço para prestar contas de todos os eventos abertos que realizo. A sacada do Guccia na escolha deste nome para sua revista é genial. Surrupio-a sem medo de ficar com a cara vermelha de vergonha.
Aprendemos com os outros, com experiências de outras pessoas. Em aulas, livros, bate-papos presenciais ou virtuais – não importa. Todo aprendizado é um evento social, por solitário que seja. “Social”? É, eu quis dizer que tudo que aprendemos vem de outras pessoas.
Quando invertemos este fluxo, tentando ensinar outras pessoas, de certa forma estamos fazendo uma “Prestação de Contas”. É uma retribuição – mas sempre seremos avaliados pelo que agregamos àquele conhecimento adquirido. Por isso o periódico do Círculo Matemático de Palermo se chamava Rendiconti. O conceito é genial. A provocação, impagável!
Por isso não pensei duas vezes ao selecionar o nome desta nova empreitada. Aliás, depois de tantas idéias jogadas aqui, está aqui a primeira que pego para realizar. O título original daquele livro do Domenico de Masi, “Criatividade e Grupos Criativos“, é “La Fantasia e la Concretezza“. Sabe-se lá porque a Sextante, seguindo o (mau) exemplo das distribuidoras de filmes, não fez uma tradução literal do nome. Não importa. Para De Masi, o criativo não apenas fantasia. Ele também deve ser capaz de concretizar suas idéias. Antecipando a confissão de que não estou sendo nada criativo, topei o desafio.
Para quem pulou o prólogo, explico que tudo começou porque vou publicar meu primeiro livro. Ia fazê-lo da forma tradicional (que tem mais de 500 anos!). Imprimiria uns 1000 exemplares e ficaria aguardando que generosas almas os levassem para casa (ou escritório). Modelo pra lá de ultrapassado: Muita grana parada. Considerando que incentivo a cópia e a distribuição de versões digitais do texto; considerando que as centenas de pessoas que participaram de meus eventos já garantiram (sem custos adicionais) sua cópia digital; e considerando que hoje em dia se lê muito pouco, qual demanda eu teria? Quanto tempo levaria para esvaziar aquela pilha de 1000 volumes?
Mas a questão não é só essa, meramente comercial (ou financeira, como queiram. Aliás, já disse por aqui, não espero ganhar $ nenhum com a venda do livro). A principal questão é outra: trato o livro como se trata um software: ele é vivo – tem versões. A última versão pública é a 0.6. Em breve soltarei capítulos de uma versão que estou chamando de “release candidate”. A versão comercial será, obviamente, a ‘um ponto zero’. Mas morrerá ali? Duvido…
Agora mesmo trabalho com 3 ferramentas (técnicas) novas, de modelagem, que espero incorporar ao trabalho. Outras surgirão, motivando a publicação das versões 1.1, 1.5, 2.0 e assim por diante. Com tal processo de desenvolvimento, a impressão de grandes volumes (a única que se justifica financeiramente em gráficas tradicionais) seria um tiro no pé. Motivações mais do que suficientes para a criação de um novo negócio. Nasce assim a Rendiconti!
O Modelo do Negócio
Como eu disse, não é nada original. Surrupia sem dó nem medo partes dos modelos da lulu.com e do SafariU, do grupo O’Reilly. Trata-se de uma gráfica e editora do século XXI: só gasta papel e tinta quando o cliente confirma a aquisição de um livro (ou artigo, apostila, revista, etc). Existem dois processos principais:
Imaginem, então, as diversas possibilidades (cenários):
É óbvio, espero que vários autores vejam na Rendiconti uma oportunidade de prestar contas, de dar à luz as suas obras. Aliás, neste início de empreitada, é este o meu maior desafio: atrair autores. Claro, respeitarei tudo o que caracterizou a Rendiconti original. Não importa se você é professor ou estudante, doutor ou iniciante. Não importa se você está em Quixeramobim, na Mutuca ou na Lagoa dos Patos. E não importa se você é desenvolvedor, coordenador de projetos, administrador, consultor, professor, estagiário ou estudante. Saca a cauda longa? Então, há mercado para tudo – há espaço para todo mundo.
Considerações semi-finais
Começando do começo, fixei alguns princípios:
Na seqüência desenhei a extensão do livro, uma visão de “alto nível”. Para se ter uma idéia, ainda não sei se ele terá 9 ou 10 capítulos. A versão com 8 capítulos já é conhecida por umas 120 pessoas (114 participantes dos workshops e 6 “convidados”). No plano original, ainda seguido, espero que ele alcance um mínimo de 400 pessoas. Quanto mais heterogêneo for esse grupo, melhor (veja oferta abaixo).
Por isso os workshops que estou realizando com a Tempo Real Eventos são tão importantes. Não pelo contato de 1 dia, mas pelas conversas que acontecem depois. Por isso montei um grupo de discussão “fechado”. Ali posso receber críticas e sugestões. Ali nós trocamos idéias sobre o conteúdo, práticas, processos…
Pois é, adotei um processo Iterativo & Incremental para o desenvolvimento do livro. Sendo assim, posso dizer que nos encontramos na fase de construção, na 7ª iteração. O produto, o texto, já está na versão 0.6. Chegamos em uma fase em que as iterações precisam ser mais curtas. Mas o cronograma segue rigorosamente em dia.
O trabalho de escrita, com todas as revisões, se encerra em dezembro. Já divulguei até a data oficial de lançamento: 27/mar/2008 (quinta-feira) Um dia eu explico a data e o codinome do rebento, “É o Negócio, Beócio“.
Do mesmo conteúdo gerei uma palestra (1h30), o workshop (7hs) e um curso (80hs, dividido em dois módulos de 40hs: Modelagem de Negócios e Engenharia de Requisitos).
Segue aqui uma oferta para escolas, universidades e entidades sem fins lucrativos (de Sampa ou Varginha): quem quiser levar a palestra ou workshop para suas organizações (em outubro ou novembro), não terá custo nenhum. Demais localidades podem ser incluídas, dependendo da distância e das despesas de deslocamento. Todos os participantes receberão uma cópia (digital) do livro (que ainda é uma apostila) e outros artefatos. Se interessou? Então, fale comigo.