flit – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br Thu, 14 Apr 2022 18:10:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/wp-content/uploads/2021/01/cropped-head_512x512-32x32.png flit – finito https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br 32 32 Pra Pensar https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/08/01/pra-pensar/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/08/01/pra-pensar/#respond Mon, 01 Aug 2016 12:23:51 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5253 “Não somos o que sabemos e sim o que queremos aprender.”

-Mary Catherine Bateson

Você desconfia que precisa de novos métodos e ferramentas para enfrentar os desafios atuais e os que vêm por aí. Há tempo sofre com processos ou projetos problemáticos. Coleciona decepções com as soluções definitivas que estavam na moda até semana passada. Busca por novos conhecimentos e um pouco de paz. Eu deveria ter te conquistado com o flit. Não consegui. Posso ao menos lhe apresentar algumas alternativas?

Complexity Academy

Iniciativa bancada por financiamento coletivo, já tem dezenas de aulas disponibilizadas no YouTube. O número de assinantes ainda é pequeno (8.053 em 29/07/16). Mas aumentou uns 400% em menos de um ano. Há alguma redundância em algumas aulas, o que pode incomodar. Mas, no geral, o nível é muito bom.

Systems Thinking World

As videoaulas fazem uso de duas ferramentas que adotei no flit, Kumu e InsightMaker. A locução de Mr. Bellinger pode atrapalhar no início, mas logo você se acostuma. Oferece cursos relativamente baratos (US$10 ~ US$45) em módulos independentes.

CRLab | Cabrera Research

De Derek Cabrera, criador do DSRP e coautor de Systems Thinking Made Simple (Odyssean Press, 2015). Definitivamente, o tubarão da turma que logo atingirá a marca de um milhão de assinantes. O site oferece treinamentos e acesso à ferramenta MetaMap.

Opções Tupiniquins?

Só o flit! Mas posso apostar que até julho do próximo ano veremos outras por aqui. Agora, enquanto o flit ganha corpo, vou preparando uma linha de pães de queijo. 

Notas

  1. Willing to Learn: Passages of Personal Discovery (Steerforth, 2010).
    Mary Catherine Bateson é filha de dois grandes Pensadores, Margaret Mead e Gregory Bateson. Os três são apresentados como antropólogos. Todos deram valiosas contribuições para o que chamamos Pensamento Sistêmico.
  2. Couch Catatonia é a bucólica foto de hoje. Por Dee Ashley.
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Pensamentos da Moda https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/27/pensamentos-da-moda/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/27/pensamentos-da-moda/#respond Wed, 27 Jul 2016 19:49:35 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5244 Está na moda pensar. Veja quantos papos sobre thinking pintaram nos últimos tempos. Listas de livros mais vendidos têm presença garantida de algum último achado das neurociências. Parece que estamos numa trilha de iluminação. Só que não. E não é preciso muita atenção para perceber como as coisas parecem ir de mal a pior. Culpa dos pensamentos? Ou da falta deles?

Enxurrada de Pensamentos

Agile, Complexity, Creative, Critical, Design, Game, Lean, Liminal, Magical, Product, Service, Smart, Systems, Strategic, Visual, Zen. Tudo isso e mais alguns termos que devo ter perdido no caminho já mereceu o sobrenome Thinking. Todos apelam para que utilizemos uma das únicas coisas que podem nos diferenciar das máquinas: a capacidade de pensar.

Sim, porque é um engano clássico imaginar máquinas pensantes. Um mal entendido conhecido como a Falácia da Inteligência Artificial. Máquinas não reproduzirão nosso jeito de raciocinar. O que não as impede de realizar um monte de coisas que são impossíveis para nossos cérebros. Retomando o papo do artigo anterior, sobre O Futuro das Profissões, é hora de uma dica não oferecida lá: devemos apostar no que nos torna únicos, especialmente na capacidade de pensar. Onde, quando e como aprendemos a pensar?

O Desserviço das Escolas

Seria impossível listar todos os trabalhos que berram por uma revolução total na forma como educamos crianças, adolescentes e adultos. Nada a ver com a ingênua proposta de uma “escola sem partidos” nem com questões quantitativas. Por desserviço entenda o seguinte: as escolas reprimem tudo o que é valioso hoje e será ainda mais no futuro.

Surrupiei textos de Drucker, Ackoff e Semler para destacar os principais problemas. Hoje eu também citaria Sir Ken Robinson e Salman Khan¹. Mas vou direto ao ponto, com minhas próprias palavras: escolas não sabem ensinar a pensar².

Impulsivo e Preguiçoso

Pense nos doze meses do ano. Agora, coloque-os em ordem alfabética. Esse teste bobinho mostra bem o funcionamento dos dois sistemas que operam em nossas cabeças, o Rápido (1) e o preguiçoso Devagar (2). Daniel Kahneman nos conta como, ao contrário do que gostaríamos de acreditar, o sistema 1 prevalece em decisões do dia a dia³. Somos bem mais impulsivos do que racionais. Quais são os nossos desafios?

O sistema 1 é resultado de milênios de evolução. Apesar dos erros causados pela sua “pressa”, ele nos trouxe até aqui. Como o mundo anda bem mais complexo, é natural que ele esteja um tanto atordoado. E mais desastrado.

O sistema 2 é mesmo preguiçoso. Se a gente deixar, ele não trabalha. O teste acima deve ter te mostrado isso. Você colocou os doze meses em ordem alfabética? Sério?

Nosso grande desafio está em motivar o sistema 2 e dar uma segurada na impulsividade do sistema 1. O cérebro é um só e é claro que em cada pessoa o setup é um tanto diferente. Por isso temos os mais centrados, os inconsequentes, os introspectivos, os sistemáticos e os tô-nem-aí, dentre outros.

Mas o desafio é para todos. Nosso cérebro é o sistema mais complexo conhecido. É, de fato, a primeira maravilha da natureza. Quem aprender a utilizá-lo de forma mais eficaz aumentará as chances de sucesso.

Usando a Cabeça

Todos os thinking listados acima têm seu valor e aplicação. Alguns são rasos. Outros, bastante específicos. Há também quem fale não sobre pensamentos, mas sobre o desenvolvimento de um Sétimo Sentido4. Que bom que temos tantas opções. Só os fundamentalistas não curtem muito isso. Mas há um preço alto por ter tantas alternativas: usar a cabeça e fazer escolhas. Minha opção pelo Pensamento Sistêmico não vem de hoje. Prepare-se para rir: foi receita de um médico veterinário, aviada há exatos 20 anos. Nem sei dizer como sou grato ao “doutor” Ricardo Marques5.

De Capra para Senge, Meadows, Weinberg, Russell, Checkland, Ulrich, Churchman, Ackoff, Beer, Espejo, Ashby, Mead, Boulding, Vickers, Lewin, Maturana, Jackson e, mais recentemente, Cabrera, foi um fluxo (não um pulinho). Como colocou Newton, como é legal a vista quando se está sentado em ombros de gigantes. O Pensamento Sistêmico ainda tem muitos sentidos para muita gente. Jurgen Appelo, em Management 3.0, e artigos recentes6 lhe descem o malho. Isso é bom – fidbeques negativos sempre serão necessários se o que se busca é evolução e viabilidade.

E o Pensamento Sistêmico, depois de um pequeno hiato, se renova nas propostas de Derek Cabrera e em ferramentas bem modernas. Busca viabilidade ao fixar um propósito bem nítido: alinhar nosso modo de pensar com a forma como o mundo realmente funciona. Não é pouca coisa. E parece ser uma boa aposta.

Notas

  1. De Ken Robinson, duas sugestões: Libertando o Poder Criativo (HSM, 2012) e esta palestra no TED.
    De Salman Khan, fundador da Khan Academy, Um Mundo, Uma Escola (Intrínseca, 2013)
  2. Toda generalização é estúpida, eu sei. Mas a afirmação só deve machucar de verdade um conjunto muito pequeno de exceções que confirmam a regra. A elas, minhas sinceras desculpas. E um pedido para conhecê-las de perto.
    Outra coisa: não é culpa de diretores, professores, ministros. A culpa é de todas as partes interessadas que parecem não se interessar muito pelo tema, particularmente pais e alunos.
  3. Rápido e Devagar: Duas formas de pensar (Objetiva, 2012).
  4. The Seventh Sense: Power, Fortune, and Survival in the Age of Networks
    Joshua Cooper Ramo (Little Brown and Company, 2016)
    Se quisesse, o autor poderia sugerir um Network Thinking ao invés de um sétimo sentido. Talvez ele tenha percebido certo cansaço do termo “thinking” 🙂
  5. Fomos colegas na Coopersum, a primeira empresa a rodar um PowerPC em Minas. Há tempos procuro por esse cara. Nem o Google me ajudou. Ele é do terceiro B do triângulo mineiro, a b… de Araguari, e viveu por muito tempo em Elói Mendes (Mutuca para os íntimos). Sei que parece impossível, mas se alguém tiver alguma pista… Devo muito a ele.
  6. Naquele artigo, o mal entendido aparece logo no subtítulo: “uma organização não é um sistema”. A autora Bonnitta mira na cibernética (ecoando críticas rebatidas há tempos) e desconsidera as contribuições de diversas linhas do Pensamento Sistêmico, como Soft Systems Methodology (SSM), Human Systems Dynamics (HSD), Adaptive Action e o novo DSRP, principalmente. Não importa. Falem mal, mas conversem sobre o Pensamento Sistêmico. É preciso.
  7. brains é a foto de hoje. Surrupiada de Oferico no flickr.
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O Futuro das Profissões https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/25/o-futuro-das-profissoes/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/25/o-futuro-das-profissoes/#comments Mon, 25 Jul 2016 21:40:19 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5223 Muito se fala sobre um mundo sem emprego. Indicadores atuais, do Brasil e do mundo, mostram um cenário preocupante. Se eles sinalizam uma  tendência, o horizonte aparece bem feio. O futuro, nosso e das próximas gerações, será mesmo de desemprego em massa? Existem profissões imunes? O que pode e precisa ser feito hoje?

Copo Bem Vazio

Ninguém corre o risco de soar ridículo ao sugerir que em 5 ou 10 anos não precisaremos mais de caminhoneiros e taxistas. Quem dirigir veículos o fará por esporte ou vício. Operadores de telemarketing? Entre 60% e 80% dos postos devem ser eliminados em poucos anos. Cinco mil robôs cuidam do estoque, logística e remessa em centros de distribuição da Amazon. Drones já fazem entregas?!?

Engana-se quem acha que apenas os trabalhos rotineiros e que exigem pouco do cérebro são passíveis de automação. Advogados, médicos, jornalistas e arquitetos, por exemplo, testemunham um redesenho radical de seus trabalhos. Sistemas já são capazes de orientar peças de acusação ou defesa, debruçando-se sobre infinita jurisprudência (Big Data). Vestíveis e ingeríveis (Internet das Coisas) geram montanhas de dados que desconcertam médicos. Máquinas (Inteligência Artificial) serão mais eficientes e eficazes nos diagnósticos e prescrições. Aliás, elas realizarão a promessa da medicina preventiva. Algoritmos já escrevem matérias jornalísticas. Desenhar prédios e imprimir boa parte deles? Já está acontecendo.

Big Data, Internet das Coisas e Inteligência Artificial são os monstros tecnológicos mais citados quando falamos sobre o futuro do trabalho. Parece não haver nenhuma profissão imune. Nem mesmo aquela que tem fama de ter sido a primeira.

Decomposição Funcional

Não deveríamos tratar as profissões como um todo se a intenção é desenhar seu futuro, seja no curto, médio ou longo prazos. Como sugerem alguns trabalhos recentes¹, faz muito mais sentido olhar para o conjunto de tarefas executado em determinada ocupação. Uma tarefa é uma unidade de trabalho bem definida². Decomposição funcional? Sim, porque só assim conseguimos fazer a seguinte avaliação.Uma tarefa artesanal (ainda) pede pelo toque humano. Não se encaixam aqui apenas os trabalhos que exigem destreza manual, mas todos que requerem empatia e criatividade. Como as saídas são diferentes e de certa forma únicas, concluímos que esses trabalhos não são rotineiros.

Aquilo que é rotineiro é passível de padronização. Guias, checklists, modelos (templates), receitas e procedimentos são formas de padronizar a execução de uma tarefa. Uma vez padronizada, a tarefa pode ser facilmente ensinada e distribuída.

É natural que aquilo que passou pelo estágio anterior seja sistematizado. Trata-se da aplicação de tecnologia mais sofisticada para uso pelo próprio profissional ou pela organização.

Nos três primeiros passos, o trabalho ainda é do profissional ou da organização que o emprega. Claro, inserimos aqui os terceirizados (estejam onde estiverem). No último passo a tarefa vai para as mãos de clientes, curiosos, leigos etc. É o que chamamos externalização. Lembre-se, por exemplo, de quanto trampo os bancos passaram para a nossa alçada. Check-ins automáticos em hotéis e aeroportos e tudo o que se apresenta como autosserviço online são casos de tarefas externalizadas.

Não há um início fixado e a progressão não precisa ser linear. Ou seja, uma tarefa já pode nascer externalizada. Pense no chamado de um carro do Uber, por exemplo.

Se não todas, a grande maioria das profissões pode ser estudada assim, como conjuntos de tarefas ou trabalhos (jobs). E são raros os casos onde uma profissão completa se encaixa em apenas um dos estágios de comoditização. Se for o caso, quanto mais à direita no gráfico, menor o salário e maior o risco de extinção.

Profissões são Meios

As profissões são a forma que inventamos para disponibilizar conhecimento especializado. Ou seja, conhecimentos e habilidades não são apenas requisitos para o desempenho de uma profissão. São seu objetivo principal. A sociedade nos autoriza, assim como faz com empresas, a resolver problemas. Portanto, profissões são meios, nunca o fim.

E o que está acontecendo? Uma perfeita tempestade deflacionária³. A sociedade está encontrando meios mais eficazes e baratos de resolver problemas. Meios que driblam ou confrontam o monopólio das profissões. Serviços que desmistificam papéis e aumentam consideravelmente o número de pessoas que podem ter acesso às soluções. Sejam elas médicas, jurídicas, educacionais, arquitetônicas etc. Por isso estaríamos caminhando para uma sociedade pós-profissional.

Copo Meio Cheio

Essa revolução não acontecerá do dia para a noite. Mas, ao que tudo indica, ela já começou. E caminha a passos largos. A resistência através de leis e cercadinhos não terá efeitos duradouros. Discursos empolados e repletos de neologismos e jargões surtirão efeito contrário – aumentarão o ímpeto pela desmistificação daquele trabalho. Como bem escreveu Joshua Cooper Ramo, “forças estão eliminando um sistema. Mas também estão produzindo outro.”³

Nós, de negócios e TI, participamos ativamente dessa transição. O que se questiona, com muita razão, é o  quão conscientes e consequentes estamos sendo. Vislumbrar apenas o próprio umbigo não seria uma atitude muito inteligente. E pensar que nossas próprias profissões estariam salvas é ilusão bastante perigosa.

O que pode ser pensado e o que precisa ser feito?

Há as questões morais amplas, que deveriam ser feitas por todo mundo. A principal delas talvez seja: “qual futuro queremos para nós, nossos filhos e netos?” Está longe do escopo deste artigo propor respostas.

Restam as questões mais pragmáticas. Quantas de nossas tarefas seguem o inevitável caminho da comoditização total? Quais seguirão artesanais em médio e longo prazos? Elas serão suficientes para garantir determinado nível de renda? Quanta oferta delas existirá? Quais outros trabalhos eu posso vislumbrar? E quais habilidades e conhecimentos são necessários para desempenhá-los? Serei nessas tarefas melhor que uma máquina?

Encerro com uma desconfiança bem mineira: quem tenta trabalhar como uma máquina já perdeu o jogo.

Notas

  1. The “Task Approach” to Labor Markets: An Overview (pdf)
    David H. Autor, 2013
    The Future of the Professions
    Richard e Daniel Susskind (Oxford University Press, 2015)
    Este artigo é quase um resumo do livro acima. Fiquei ainda mais assustado do que estava, mas concordo com a tese dos autores.
  2. Quando falo sobre Processos de Negócios, ensino que uma tarefa é indivisível. Na decomposição proposta acima uma tarefa pode ser quebrada. No flit eu uso o termo trabalho (job) ao invés de tarefa. Exatamente para evitar esse tipo de confusão. Veja, por exemplo, que um Analista de Negócios pode assumir 8 trabalhos essenciais. Quais deles podem ser externalizados? Bom exercício.
  3. Mais assustador que o livro dos Susskind é The Seventh Sense, de Joshua Cooper Ramo (Little, Brown & Co., 2016). Não por acaso é o livro mais citado neste artigo da McKinsey (What CEOs are Reading). Não trata apenas de trabalho, mas dessa traumática passagem do mundo para a Era das Redes. É para estômagos fortes e mentes abertas.
  4. Uma olhada no futuro igualmente dramática mas menos pessimista é oferecida por Kevin Kelly em The Inevitable: Understanding the 12 Technological Forces That Will Shape Our Future (Viking, 2016). Como já havia colocado numa rede social, parece até uma nova versão de A Vida Digital, de Nicholas Negroponte (Companhia das Letras, 1995). É tão provocativo e esclarecedor quanto.
  5. glass half full é o título da imagem de hoje. Compartilhada via flickr por David Shores.
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Implorando por Fidbeque https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/22/implorando-por-fidbeque/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/07/22/implorando-por-fidbeque/#comments Fri, 22 Jul 2016 18:55:30 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5216 Falta pouco mais de uma semana para o encerramento da campanha de financiamento coletivo do flit. Deve ser um tremendo fracasso. A distância da meta interessa menos, apesar de doída. É a pobreza de informações, do tal fidbeque¹, que me espanta e trava. Compartilho a experiência na esperança de merecer algumas dicas.

Mordomos Abundam

A crise tá feia; o produto é radical demais; o povo não entendeu; a divulgação foi miserável; o povo não curte muito essa coisa de financiamento coletivo; você não vai tirar ninguém de sua zona de conforto com uma oferta tão abstrata… São suposições que não ouvi de ninguém. Sim, eu implorei por avaliações em mensagens individuais e através da newsletter. Bobinho: ninguém lhe dará nacos de seu recurso mais valioso (i.e. TEMPO) só porque você pediu. Ainda mais da forma como pediu!

Para não ser totalmente injusto, devo dizer que recebi uma dúzia de respostas. Metade bastante positiva, do tipo “o mercado precisa de provocações assim”; “você não sossega nunca”; “acredito na ideia… acredito em você”. Joia. Mas fidbeques positivos geralmente trazem mais motivação do que informação. E todo produto/serviço novo clama, implora por informação.

Informação

J., de São Paulo, disse que não entendeu o que ganharia com o flit: “Falar em se tornar um profissional mais completo é muito pouco.”

Há realmente muita ênfase no “como” em detrimento do “que” e “por que” – uma inversão esquisita. Assim como o destaque ao lado “sistêmico” do produto pode ter deixado em segundo plano aquele que deveria ser seu principal atrativo: a orientação ao trabalho a ser feito (JTBD – Jobs to Be Done).
(No próximo artigo vou mostrar como e por que esse desenho tem um impacto definitivo no futuro das profissões. De TODAS as profissões.)

Essa quebra por tarefas é a minha aposta para facilitar o ensino do Pensamento Sistêmico. Ele é raiz (como ilustra um dos slides), mas não é a motivação central do produto. E qual seria essa motivação, hesitante escriba?

Oras, que o assinante do flit 1) domine um GRANDE número de habilidades; abrindo caminho para que ele 2) seja capaz de assumir e executar um GRANDE número de trabalhos (tarefas). Por fim, mas não menos importante, está o aspecto qualitativo. Mais que resolver problemas e apagar incêndios, o assinante aprenderá a 3) desenhar soluções que passem no teste mais importante: o teste do tempo.

O que me trouxe ao flit

Vale a pena enumerar os problemas e questões que me inspiraram a desenhar o flit:

  • “Aqui na empresa não vou conseguir aplicar isso”
  • “O Gerente de Projetos falou que isso não é responsabilidade minha”
  • “Analista de negócios também faz isso???”
  • “O programador falou que eu não preciso me preocupar com isso”
  • “O professor afirmou que isso é perda de tempo”
  • “O gritou que isso não funciona, tá ultrapassado etc”

Empresas, escolas, metodologias e gurus estão limitando sua evolução profissional de uma maneira um tanto irracional e autocrática. Quão fiéis eles são a você? Por que eles mereceriam tanta obediência e conformismo? Afinal, por que sua carreira precisa ficar presa em caixinhas de disciplinas, corpos de conhecimentos, metodologias etc?

Eu sei que “fora das caixas” é um clichezinho pra lá de gasto. Mas é a melhor e mais simples mensagem que o flit pode lhe passar: livre-se das caixas e dos silos! Torne-se um profissional mais completo e, consequentemente, mais livre, valorizado e satisfeito. Não por causa de uma série de coisinhas frufru que estão na moda. Mas porque você ataca diretamente a principal causa da ansiedade dos tempos modernos: a falta de conhecimentos e habilidades para lidar com problemas (complexos, complicados etc).

O Tamanho da Coisa

L., também de São Paulo, manifestou preocupação com a abrangência do flit. A metáfora do seriado abriu passagem para um temor legítimo: “e se for como aquelas séries arrastadas e confusas, com muitas tramas que não fecham?”

Saca “Law & Order”, série onde invariavelmente cada episódio tem início e fim? O flit foi pensado assim. Claro, existem personagens cuja evolução ocorre através de diversas temporadas. Mas os episódios abrem e fecham uma questão. Podem ser assistidos de forma aleatória sem comprometer o entendimento.

Ainda sobre o tamanho da Coisa, J. foi um pouco mais longe: “o flit vai exigir dedicação de uma pós.” Puxa, onde errei? É exatamente o contrário. Os episódios (com 15’ no máximo) serão liberados a cada 15 dias. Seu estudo não deve demandar mais do que duas horas por quinzena. Claro, quem quiser mergulhar e praticar vai gastar mais tempo. Mas por sua conta e, principalmente, interesse. O flit não exigirá nada. Cada assinante faz seu tempo e ritmo.

O Formato da Coisa

D., outra paulistana, pegou pesado: “o vídeo é horrível. Se as aulas forem assim, não terei a mínima vontade de assistir.”

Não adianta falar que segui todas as dicas de Salman Khan, que tentei tirar o máximo do Powerpoint e que meu vozeirão é bonitinho. Confessei que estou aprendendo a falar SEM público. Meu “punch”, como disse F., é outro quando tenho uma plateia. Conteúdo tão quente merece formato idem. Mas é importante destacar que as videoaulas são apenas uma parte do flit. A menor delas! Mas, claro, estou me esforçando para melhorar, para tornar os vídeos mais dinâmicos e interessantes.

Meu Domínio sobre a Coisa

L. questionou, sem firulas, meu domínio sobre terreno tão vasto. Tenho 30 anos de vida profissional. Já fui desenvolvedor, analista, gerente, sócio, faz-tudo e aspone. São 30 anos de experiências, o que é muito diferente de 30 anos da mesma experiência. Minha paixão pelo Pensamento Sistêmico também é antiga, tem uns 20 anos. Não a destaco como uma especialidade porque seria uma mentira. Ninguém é especialista nisso. E se não trabalhei o tema aqui de forma específica é porque não tinha uma boa desculpa para isso. Mas, se você olhar direito, vai notar a raiz. Seja tratando de Análise de Negócios, requisitos, Scrum ou de Arquitetura de Negócios. Enfim…

Sei que a maneira mais eficaz de aprender é ensinando. O flit não tem a presunção de ser um corpo de conhecimentos. Ele é um corpo ou programa de ESTUDOS. Ou seja, traz embutida (by design – por querer) a humildade necessária em tempos bicudos e complexos: “isso eu não sei, vamos descobrir?”

Um Público para a Coisa

L., generosa como ela só, também questionou qual seria o público alvo do flit e se ele seria voltado para iniciantes ou iniciados. “Fora das caixas” deveria dizer tudo. Seria muito incoerente apontar o flit apenas para algumas profissões/funções/papéis. Claro, ele é voltado para gente de negócios e sistemas. Mas nada impede a entrada de curiosos de outras áreas.

E quem é iniciado, especialista ou mestre? Não vivemos numa época em que tudo ou quase tudo parece estar errado? Então, por que não aprender como se estivéssemos começando do zero? O flit só não é um reset porque sua experiência conta muito. Mas ele o convidará a rever muitos conceitos, hábitos e práticas. Ou seja, somos todos iniciantes.

A Longevidade da Coisa

O eventual fracasso na campanha de financiamento não matará o flit. Sou teimoso e não tenho pressa. O que tenho, agora, é uma fome danada por fidbeque. Se você sapeou  a proposta do flit, também teria um tempinho pra conversar comigo? Quais são suas dúvidas? Do que você gostou e não gostou? E o que o impede de virar um assinante? Seu fidbeque vale uma fortuna. Quanto ele custa?

Notas

  1. Não custa repetir: só vi fidbeque escrito assim em um livro, “Cibernética na Administração“, tradução maravilhosa de “Brain of the Firm”, de Stafford Beer. José Reis, o tradutor, deu uma aula. Coisa que não se vê mais nos dias de hoje. FIDBEQUE (retroalimentação) é mais que respostas, likes ou piscadinhas.
  2. Johnathon Livingston? é o título da foto. Disponibilizada no flickr pelo JJ.
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Por Acaso? https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/27/por-acaso/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/27/por-acaso/#respond Wed, 27 Apr 2016 17:43:27 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5120 [videoembed url=”https://youtu.be/U8_oaicCTic”]Setembro de 2014. Meus sobrinhos decoravam uma das paredes de meu porão/escritório. O mais novo, Luizinho, desenhou a logomarca do flit. Ele tinha quase três anos. Seu pai, Guz, deu o tapa final. flit não é sigla nem tem nenhum significado especial… ainda. Mas pode ser traduzido como um voo rápido e rasante ou um movimento leve. De uma forma ou de outra, tem tudo a ver com o piu-piu elaborado pelo moleque. Viva o acaso.

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Sistemas Complexos https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/20/sistemas-complexos/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/20/sistemas-complexos/#respond Wed, 20 Apr 2016 15:39:47 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5076 Qualquer sistema composto por várias partes interligadas que constantemente se adaptam e auto-organizam em resposta ao ambiente é um sistema complexo. Taí uma das definições de sistema complexo mais enxutas que você vai encontrar¹. Vale a pena gastar um tempinho em cada termo chave.

Sistema

Um sistema é um todo definido pela função que ele exerce em determinado ambiente². Sistema é uma ferramenta de compreensão³. É uma invenção nossa, bem humana. Delimitamos algo a fim de escarafunchar, analisar, redesenhar, melhorar. Temos sistemas de governo e educacionais, sistemas econômicos e feudais. Existem formigueiros e cidades, sistemas nervosos, digestivos e digitais. Tudo pode ser visto como um sistema. Por querer.

Partes

Todo sistema é formado por pelo menos duas partes essenciais – partes cuja ausência impediria a realização de sua função². Você já se viu sem cabeça?

Adaptação

Capacidade que um sistema tem de se ajustar, de responder às restrições e demandas do ambiente em que está inserido. A adaptação ocorre através da evolução e do aprendizado.

Auto-organização

Desde o Big Bang, há 13,7 bilhões de anos, o universo se auto-organiza. O comando e controle, o oposto da auto-organização, é uma invenção recente. Tudo o que não é restringido pelo ambiente (ou pelo gerente, patroa ou sogra) vai se auto-organizar. Ou seja, as partes encontrarão novos arranjos e padrões. Nem que seja só pra fugir da rotina…

Ambiente

É o sistema maior que contém o sistema em estudo. Um sistema-empresa está inserido em um sistema-mercado que por sua vez faz parte de um sistema-sociedade.  Seu sistema nervoso está inserido no sistema-você. Todos somos sistemas compartilhando o sistema mãe terra que faz parte do sistema solar…

Isso não é um Apêndice (nem esôfago)

Fidbeque! A grafia é estranha por querer4. Fidbeque não é só uma resposta (ou um like, please!) Retroalimentação é a tradução literal. Algo é feito com essa saída. Fidbeque é informação que circula e, ao fazer isso, dá vida e movimento ao sistema5. Sem laços de fidbeque não há operação, aprendizado ou adaptação. Sem eles não há sistema.

O todo é maior que a soma das partes. A isso chamamos emergência. O sistema exibe determinadas propriedades que não podem ser atribuídas a nenhuma das partes individualmente. Essas propriedades emergem como resultado das interações entre as partes. Você não é o que é por causa de seu esôfago. Um time não ganha por causa de um técnico ou um craque. A azeitona da empada não causaria tamanho mal estar (ressaca). Aquele congresso lá em Brasília é obra de milhões de votos e de um sistema apodrecido (baita ressaca).

Um sistema só pode ser apreciado, analisado, escarafunchado, debatido e melhorado quando percebido assim – como um todo. É por isso que precisamos Pensar Sistemicamente. Tema do próximo papo. Inté!

Notas

  1. Systems Thinkers
    Magnus Ramage & Karen Shipp (Springer, 2009).
  2. Differences that make a Difference
    Russell L. Ackoff (Triarchy Press, 2010).
  3. Geoffrey Vickers, citado em Systems Thinkers (acima).
  4. Stafford Beer mereceu apenas uma tradução em pt-br. Brain of the Firm (Herder and Herder, 1972) virou Cibernética na Administração (Ibrasa, 1979). É um tesouro só encontrado em bons sebos. A tradução de José Reis é o tipo de trabalho que não vemos mais. É dele o fidbeque. Agora é nosso.
    Beer, assim como Margaret Mead e vários outros, já criticavam há tempo o abuso do termo “feedback”. Se o ouvissem hoje em dia…
  5. Matéria e energia também dão vida e movimento aos sistemas. Mas é tão legal tratar fidbeque como informação pura.
  6. Passion Drops
    Outra foto surrupiada da tanakawho.
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Complexidade: Decifra-me, mas… https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/19/complexidade-decifra-me-mas/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/19/complexidade-decifra-me-mas/#respond Tue, 19 Apr 2016 18:27:16 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5056 Vivemos o Século da Complexidade. Não que ela, a tal complexidade, só tenha surgido agora. Está conosco desde o início dos tempos. Acontece que esse bicho de inúmeras cabeças ficou mais notável e relevante. Nosso desenvolvimento e até a nossa sobrevivência depende de seu entendimento. Mas, afinal, o que é complexidade? É possível mensurá-la? Por que cargas d’água ela tende a crescer? E o que isso tem a ver com a gente?

Com.ple.xi.da.de (s.f.)

Qualidade do que é complexo. (Michaelis)

Com.ple.xo adj. 1. que se compõe de elementos diversos relacionados entre si  s.m. 2. conjunto, aglomerado 3. psic. conjunto de sentimentos de forte valor emocional que se refletem na personalidade de uma pessoa ~ complexidade s.f. (Houaiss)

Neil Johnson mostra que dicionários em língua inglesa também confundem quando tentam explicar a complexidade¹. A definem como o  comportamento de um sistema complexo. Este, por sua vez, é descrito como sendo  um sistema cujo comportamento exibe complexidade. Santa recursividade escorregadia!Complexo vem do latim, plectere. Significa trança ou entrelaçar. Uma trama não muito regular, repleta de nós, é uma imagem recorrente quando ilustramos a complexidade. As explicações acima são suficientes? Não. É curioso, mas ainda não temos uma boa definição para a complexidade.  

Complexidade é um adjetivo e uma unidade de medida. Subjetiva e desconcertante medida. O que medimos? O grau de ordem ou desordem demonstrado por determinado sistema. Ou sua previsibilidade. Ou o número de conexões. Ou a diversidade de elementos. Cada modelo proposto enfatiza uma característica. Todos acertam. Mas todos estão incompletos.

O Cynefin² fixa duas dimensões: a existência ou força de um controle central e o grau de conectividade entre os componentes. Jurgen Appelo³ prefere falar de estrutura e comportamento, sendo que apenas este pode ser complexo.
(Mais sobre eles em futuros artigos)

Bola de Neve

A complexidade aumenta na medida em que mais pessoas e coisas são conectadas. Nossas redes sociais ainda acomodarão outros bilhões de pessoas. A Internet das Coisas (IoT) vem aí para interligar tudo quanto é tipo de objeto. Cada pessoa manterá ligações com centenas de coisas. Tempo verbal mal colocado…

Todo santo dia a rede ganha um sem número de novos nós. Nós pronome e nó substantivo. Entender a complexidade que só faz crescer não é luxo ou necessidade futura. É pra ontem!

Ciência

O estudo da complexidade é “a ciência das ciências”, uma disciplina guarda-chuva¹. Não é apenas interdisciplinar ou multidisciplinar. O salto pelos silos, caixas e vícios das ciências tradicionais exige uma postura meio indisciplinada mesmo.

E não importa muito que não tenhamos (ainda) uma boa definição e uma teoria abrangente da complexidade. Não é difícil identificar um sistema complexo, como veremos no próximo artigo. E para uma requerida postura prática e pragmática, é isso o que interessa. Por enquanto. Inté!

Notas

  1. Simply Complexity – A Clear Guide to Complexity Theory
    Neil Johnson (OneWorld, 2009)
  2. The New Dynamics of Strategy: Sense-Making in a Complex and Complicated World
    Cynthia F. Kurtz & David J. Snowden (IBM Journal of Research and Development – n. 3, 2003)
  3. Management 3.0
    Jurgen Appelo (Addison-Wesley, 2011)
  4. O título não vem da esfinge. Foi surrupiado de Clarice Lispector:
    Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender.
  5. Dandelion with Waterdrops 2
    Foto da tanakawho, que andava meio sumida daqui.
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Habilidade #1 https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/15/habilidade-1/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/15/habilidade-1/#respond Fri, 15 Apr 2016 20:02:38 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5039 Alguns amigos sugeriram que eu fosse mais específico em relação às habilidades e capacidades que o flit e seus derivados se propõem a lapidar. Se é sincero o papo de que o flit não é finito (hã!), como essa lista de habilidades pode ser compilada? Afinal, o que pode entregar um produto que se apresenta fora e bem longe das caixas?

O Trabalho a Ser Feito

Toda a parte prática do flit foi desenhada como conjuntos de Trampos a Realizar ou , no inglês, Jobs to be Done (JTBD). Cada trampo é apresentado num padrão bem conhecido: verbo + substantivo. A única classificação utilizada respeita as três camadas universais¹. A imagem acima mostra alguns exemplos de trampos a realizar. Essa lista pode ser dez ou cem vezes maior. Não fecharei o catálogo de temporadas futuras. O flit funcionará melhor se desenhado em conjunto e sob demanda. Claro, alguma visibilidade é necessária. E por isso publiquei todo o roteiro da primeira temporada.

Sinceramente, não espero que você assine o flit por causa da quantidade de trabalhos que será capaz de realizar. Essa é a parte visível e palpável. Mas não é o espírito da coisa.

A Habilidade Essencial

Estudo publicado pelo Fórum Econômico Mundial projeta o futuro do trabalho até 2020. Vale a pena navegar por todo o infográfico. Vou destacar apenas um trecho, sobre habilidades requeridas:A dis/solução de problemas complexos aparece como habilidade número 1. Como colocado no artigo anterior, o Pensamento Sistêmico está para a Complexidade assim como a água está para a sede. E esse pensar diferente é a alma do flit.

Ser craque em diversos Trampos a Realizar é consequência, efeito. O flit pode ser a causa. Topas?

Notas

  1. Futuro artigo tentará explicar essas “três camadas universais”.
    Por enquanto, a origem: Beer, grande Stafford Beer.
  2. One é o nome da foto no topo do artigo.
    Ela foi compartilhada pelo smartfat no flickr.
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Crise ou Transição? https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/14/crise-ou-transicao/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/14/crise-ou-transicao/#respond Thu, 14 Apr 2016 16:13:10 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5019 Muitos ainda interpretam as más notícias do dia a dia como crises e apelam para pequenos conjuntos de variáveis domesticáveis (taxa de juros, leis, muros, polícias etc.) ao sugerir soluções. São prisioneiros da forma de pensar que nos trouxe até aqui. Um gênio tentou nos ensinar: se a intenção é resolver de vez essa bagunça, então uma nova mentalidade é necessária.

Complexidade & Sistemas

O conjunto de crises, em escala global, é gigantesco. E não existe mais um intervalo de tempo entre elas. Estão sobrepostas e misturadas: causas e efeitos se confundem em novelos intermináveis. Passou da hora de promover nossas crises – colocá-las em outro patamar. E começar a procurar, debater e desenvolver novos modelos e ferramentas.

Russell Ackoff chamou esse momento de transição: da Era das Máquinas para a Era dos Sistemas¹. Stephen Hawking prefere o termo Século da Complexidade. Não há conflito: Hawking trouxe o fubá; Ackoff entregou o angu.

Sistema é uma ferramenta de compreensão². O Pensamento Sistêmico propõe o alinhamento de nosso jeito de pensar com a forma como o mundo realmente funciona³. A proposta não é nova. Conta com décadas de estudos e diversos métodos, ferramentas e modelos. Se não é pop – e ainda não é – é porque não promete atalhos.

Dois Atalhos

O primeiro é o fundamentalismo e ele não se limita ao aspecto religioso. Qualquer crença que não admita ou pelo menos respeite outro ponto de vista é fundamentalista. Seja ela no mercado, numa ideia ou metodologia – você entendeu. É um atalho porque tenta simplificar o mundo à força.

Dedicados seguidores de modas tomam o segundo atalho. Ao contrário dos fundamentalistas, são bastante flexíveis. Exageradamente volúveis. Maionesicamente sensíveis. Chegam a crer na panaceia da moda com certo fervor. Mas não pensam duas vezes na hora do “upgrade”.

Sem Atalhos

O caminho para o Pensamento Sistêmico não é trivial porque o velho sistema legado – reducionista, mecanicista, determinista – ainda roda e predomina: nas escolas, empresas, e, consequentemente, em nossas cabeças. Não importa. O finito vai ficar ainda mais sistêmico – por querer! Espero seguir contando contigo e seu fidbeque. Inté!

Notas

  1. Ackoff’s Best: His Classic Writings on Management
    Russell L. Ackoff (Wiley, 1999).
  2. Geoffrey Vickers, citado em Systems Thinkers
    Magnus Ramage & Karen Shipp (Springer, 2009).
  3. Systems Thinking Made Simple
    Derek Cabrera & Laura Cabrera (Odyssean Press, 2015).
  4. That’s Interesting
    Imagem surrupiada de Kevin Dooley no flickr.
  5. Devo o “maionesicamente sensíveis” ao seu Carlos, pai do Wally, avô da Isabela. O original é ainda melhor: “estrogonoficamente sensíveis – azedam fácil”. Papos em botecos mineiros proporcionam tais achados.
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Confie no Terreno https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2015/04/08/confie-no-terreno/ https://paulofernandovasconc1779817422000.0291847.meusitehostgator.com.br/2015/04/08/confie-no-terreno/#respond Wed, 08 Apr 2015 19:14:17 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=4370 A elaboração do Mapa do Inferno forçou e reforçou algumas sinapses. Quando ultrapassei a fronteira de 200 itens catalogados uma primeira ficha caiu: quanta coisa! Só ali, em um pequeno universo envolvendo negócios e TI, são dezenas de corpos de conhecimentos, métodos e disciplinas. Contei centenas de ferramentas.

Durante o último século montamos sistemas de ensino e trabalho orientados por uma lógica cartesiana, reducionista. E empacotamos padrões, métodos e ferramentas de forma a criar e sustentar ligações diretas entre empresas e escolas. Como o ritmo de evolução dessas duas entidades é bastante distinto, um dia Drucker cravou¹: “Quando um tema se torna completa e irremediavelmente obsoleto, a universidade o transforma em uma disciplina obrigatória”.

Não é por acaso que muita gente sente um choque quando estreia no mundo dos negócios. Parece uma viagem no tempo e pelo espaço. Não se trata de desmerecer as escolas pela distância. Nem de clamar que elas acompanhem o ritmo dos negócios. Elas não existem para isso. Deveriam ensinar a pensar, só isso (tudo). Ferramentas “do mercado” ou “da moda” deveriam ser temas extras, apêndices ou atrações de feiras. Não o núcleo dos currículos. Mas esse papo é espinhoso e não pretendo gastar nosso tempo nele.

Voltando ao mapa: quando comecei a buscar relações entre os itens, caiu a segunda ficha. É enorme a quantidade de sobreposições. Ilustrando: Gerenciamento de Projetos, Análise de Negócios, Análise de Sistemas e Desenvolvimento de Produtos. E se eu lhe dissesse que pelo menos 50% dessas áreas compartilham necessidades, responsabilidades e, consequentemente, ferramentas? Dependendo dos agrupamentos (de disciplinas ou caixas), a área de interseção pode superar os 80%. Não curto Tom Peters, mas ele acertou em cheio quando disse “se não estiver confuso, não está prestando atenção”.

Confusão não falta. Pegue, por exemplo, essa questão não respondida no Quora. É o tipo de dúvida que inferniza a vida do trabalhador do conhecimento dos novos tempos. O que devo estudar? Por onde começo? Qual caminho leva ao pote de ouro mais rechonchudo? Qual carreira combina comigo? E, talvez, a pergunta mais importante: quais métodos e ferramentas me ajudariam a realizar o meu trabalho?

Uma ferramenta está na caixinha do gerenciamento de projetos. Outra parece ser da análise de negócios. Aquelas ali, bem legais e modernas, são coisa dos designers. E aquilo ali? Hã, arquitetura de soluções? E aquele método ali é só da turma de TI, é? Como uma criança em uma grande loja de brinquedos, o trabalhador do conhecimento nem sabe para onde olhar.

Nossos mapas e legendas estão sendo mal interpretados? Eles são superestimados? Estariam errados? Qualquer hesitante SIM nos forçaria a esquecer um pouco os mapas (currículos, disciplinas, job descriptions e outras caixas) e a confiar no terreno.

Notas

  1. Peter F. Drucker em Drucker em 33 lições, p. 63 (Saraiva, 2011).
  2. Globe, imagem trabalhada por Brenda Clarke, ilustra o artigo.
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